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Gronelândia, a mina de ‘ouro’ que os Estados Unidos cobiçam

Compra de territórios não é uma novidade. Já Truman quis a ilha. No século XVII, o território que hoje é Manhattan foi comprado aos holandeses por 25 euros.

Texto Fernanda Cachão e Iúri Martins
Imagens AP, Getty Images e Reuters

Compra de territórios não é uma novidade. Já Truman quis a ilha. No século XVII, o território que hoje é Manhattan foi comprado aos holandeses por 25 euros.

Texto Fernanda Cachão e Iúri Martins
Imagens AP, Getty Images e Reuters

O território da Gronelândia foi colonizado em 984 d.C. Em 1261 tornou-se parte do reino da Noruega. Cerca de 300 anos depois, em 1500, Gaspar Corte-Real foi à descoberta de terras e de uma ‘Passagem do Noroeste para a Ásia’ e foi então que chegou à Gronelândia, pensando ser a Ásia, mas não desembarcou.

Com as guerras napoleónicas, Dinamarca e Noruega separaram-se, mantendo a primeira o controlo da ilha. Essa ligação só foi interrompida com a ocupação da Dinamarca pelos nazis, em que a Gronelândia se aproximou dos EUA e do Canadá.

A Gronelândia é o território menos densamente povoado da Terra. Com mais de dois milhões de quilómetros quadrados, tem apenas perto de 58 mil habitantes. A expectativa de vida é de 72,4 anos.
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Economia e Recursos Naturais
Apesar de ter uma economia frágil e dependente da pesca e mineração, a Gronelândia é rica em recursos naturais. Estima-se que ali estejam 13% das reservas de petróleo do Mundo.

O plano do governo da ilha prevê o início da exploração de petróleo dentro dos próximos cinco anos.

A ajuda da Dinamarca, que contribui com 60% para o orçamento da ilha, é decisiva para manter o equilíbrio económico da região.

A Gronelândia abandonou a CEE em 1985, pois receava que a imposição de quotas de pesca afetassem o principal recurso económico do país.
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Mudanças Climáticas
O manto de gelo que cobre a ilha da Gronelândia tem cerca de 400 milhões de anos. Em julho de 2019, a ilha perdeu 197 mil milhões de toneladas de gelo, o equivalente a 80 milhões de piscinas olímpicas.

Se continuar a este ritmo, o derretimento poderá ser o maior desde 1950. 80% da enorme ilha é coberta por gelo - se derretesse todo, nalguns pontos do planeta o mar subiria sete metros. O suficiente para inundar a Pensilvânia ou até mesmo a Grécia.

Os dias estão cada vez 'maiores' e as temperaturas mais 'amenas'. Este ano o verão bateu temperaturas recorde, sempre quatro graus acima do normal para a época.

Os habitantes da Gronelândia recordam um passado não muito distante em que o gelo dominava a paisagem da ilha durante grande parte do ano.

Importância para os EUA
Nos últimos tempos, Donald Trump mostrou-se interessado na aquisição do território da Gronelândia, mas, a verdade, é que não é o primeiro presidente dos Estados Unidos a mostrar interesse nessa compra.

Em 1946, o presidente Harry Truman ofereceu 100 milhões de euros em ouro pela Gronelândia. Um território que se perfilava como fundamental no final da Segunda Guerra Mundial.

Nos dias de hoje, a ilha está avaliada em mais de mil milhões, segundo cálculos da CNN.

É na Gronelândia que os Estados Unidos têm a única instalação militar dentro do Círculo Polar Ártico. Esta base pode ser a ‘chave’ no caso de um eventual conflito na região. É também na Gronelândia que está o 12º Esquadrão de Alerta Espacial dos EUA, responsável pela defesa antimísseis e espacial do país.

A vontade dos Estados Unidos em reforçarem a presença no Ártico tem como objetivo impedir os russos de fechar o acesso ao Mar do Norte em aliança com a China. A rota é a via marítima mais ativa do Ártico e passa por águas territoriais russas. Vai desde o mar de Barents, perto da fronteira da Rússia com a Noruega, até ao Estreito de Bering, entre a Sibéria e o Alasca.
O que já compraram os EUA
China compra o que pode na Europa e em África
É na China que se concentra 1/5 da população mundial, no entanto, o território chinês tem apenas 10% das áreas cultiváveis do Mundo.

Entre 2010 e 2018, a China investiu 94 mil milhões de euros na compra de terras em países de África, América do Sul e do Sudoeste Asiático.

A Austrália tem 2,5% dos seus territórios agrícolas na mão de interesses chineses.

Através de manobras jurídicas, a China já conseguiu comprar cerca de 1700 hectares de terras de cereais no centro de França.
Webdesign Edgar Lorga
Produção multimédia Sandro Martins
Texto Fernanda Cachão e Iúri Martins
Fotografias Getty Images e Reuters
Vídeo AP

Edição Iúri Martins e Catarina Cruz
Edição de Vídeo Catarina Cruz