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José Eduardo dos Santos: 79 anos de vida e 38 como o 'Senhor de Angola'

Veja a cronologia do percurso e principais acontecimentos que envolveram o ex-presidente do país.

Veja a cronologia do percurso e principais acontecimentos que envolveram o ex-presidente do país.

José Eduardo dos Santos nasce em Luanda, Angola.

Junta-se ao MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola.

Inicia-se a luta contra o poder português em Angola.

Passa a coordenar no exílio a Juventude do MPLA, organismo de que foi um dos fundadores e durante algum tempo Vice-Presidente.

Junta-se ao Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA), braço armado do MPLA.

É nomeado primeiro representante do MPLA em Brazzaville, capital da República do Congo.

Licenciou-se em Engenharia de Petróleos tendo beneficiado de uma bolsa de estudo do Instituto de Petróleo e Gás de Baku, na antiga União Soviética.

Coordena o departamento de relações exteriores do MPLA.

Independência de Angola. José Eduardo dos Santos é nomeado Ministro das Relações Exteriores.

Passa de vice-primeiro Ministro para Ministro do Planeamento e Desenvolvimento Económico.

Após o falecimento de Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos foi eleito Presidente do MPLA.

José Eduardo dos Santos é nomeado Presidente do MPLA - Partido do Trabalho, Presidente da República Popular de Angola e comandante-em-chefe das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola.

Recebe o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique.

O Primeiro-Ministro, Aníbal Cavaco Silva, ao centro, na assinatura dos Acordos de Bicesse, celebrados entre o Presidente de Angola José Eduardo dos Santos, à esquerda, e o líder da UNITA, Jonas Savimbi, à direita.

As eleições para a Assembleia Nacional dão a vitória ao MPLA com maioria absoluta. Nas eleições presidenciais, José Eduardo dos Santos não foi eleito na primeira volta, tendo conseguido somente 49% dos votos. A UNITA não reconheceu os resultados eleitorais, retomando de imediato a Guerra Civil angolana. José Eduardo dos Santos mantém funções, mesmo sem legitimidade constitucional.

Uma intensa atividade diplomática de José Eduardo dos Santos culmina no reconhecimento do governo angolano pelos Estados Unidos da América e, a seguir, no reconhecimento pela maior parte dos países.

José Eduardo dos Santos participa na assinatura do protocolo de fundação da CPLP, em Lisboa.

Decorrem conversações de paz tendo em vista o fim da Guerra Civil em Angola, com o líder da UNITA, Jonas Savimbi.

Recebe o Grande-Colar da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Recebe o Presidente sul-africano, Nelson Mandela, em visita de Estado a Angola.

Eduardo dos Santos anuncia que não se irá recandidatar a Presidente de Angola nas seguintes eleições, em 2002 ou 2003.

Após a morte de Savimbi, José Eduardo dos Santos reúne-se em Lisboa com o Presidente português Jorge Sampaio.

A Guerra Civil angolana termina com a morte de Jonas Savimbi - líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) - a 22 de fevereiro e a assinatura dos acordos de paz, no dia 4 de abril.

Ao contrário do que tinha anunciado, é eleito novamente Presidente do país e as novas eleições presidenciais são constantemente adiadas, primeiro para 2006, depois para 2007 e, por fim, para 2009.

José Eduardo dos Santos encontra-se com George W. Bush em Washington DC para discutir o desenvolvimento dos dois países, trocas comerciais, a situação do VIH/SIDA e o combate ao terrorismo.

Assina o Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação na província de Cabinda para pôr fim à luta iniciada em 1975 pela independência desta região.

José Eduardo dos Santos cofunda a Associação dos Países Africanos Produtores de Diamantes que engloba 20 nações africanas.

O partido de Eduardo dos Santos vence as primeiras eleições legislativas desde 1992 com 81,64% dos votos.

José Eduardo dos Santos visita Lisboa e, com o primeiro-Ministro português José Sócrates, assina um protocolo de parceria entre a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e a Sonangol

Eduardo dos Santos sofre uma tentativa de assassinato. Um veículo tentou bloquear o seu carro quando voltava da praia com a família. A escolta presidencial abriu fogo e matou dois indivíduos. Fontes oficiais do governo não chegaram a confirmar esta informação.

Foi adotada uma nova constituição que abandona eleições presidenciais e introduz a eleição ao cargo de Presidente do cabeça de lista do partido político mais votado nas eleições gerais.

O MPLA ganha as eleições gerais e Eduardo dos Santos foi automaticamente eleito Presidente da República de Angola, cargo que manteve até 2017.

José Eduardo dos Santos encontra-se com o Presidente francês François Hollande no Palácio do Eliseu, em Paris

José Eduardo dos Santos anuncia que se vai retirar da vida política ativa em 2018.

José Eduardo dos Santos nomeia a filha Isabel dos Santos para Presidente do conselho de administração da petrolífera estatal Sonangol. A nomeação gera ondas de choque internas e externas e causa polémica a nível internacional, com vários organismos a pedirem fiscalização aos negócios da Isabel dos Santos na Sonangol.

José Filomeno dos Santos e Welwistchea ‘Tchizé’ dos Santos, filhos de José Eduardo dos Santos, integram o Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), na recandidatura do então Presidente à liderança do MPLA. Segue-se uma remodelação no governo, no mês seguinte.

José Eduardo dos Santos indica João Lourenço, vice-Presidente do MPLA, para o suceder na candidatura à presidência de Angola nas eleições de 2017.

Dos Santos confirma, após várias dúvidas dos críticos, que não se vai recandidatar à presidência de Angola e que vai abandonar o poder ao fim de 38 anos.

Estado de saúde de José Eduardo dos Santos começa a gerar preocupação. Após rumores, sabe-se que o então Presidente de Angola faz deslocações regulares a uma clínica privada de luxo em Barcelona, onde está a fazer tratamentos oncológicos.

O MPLA, com João Lourenço como candidato, vence as eleições presidenciais em Angola com 64,5%. João Lourenço abandona assim o poder ao fim de 38 anos e recorda o seu último mandato presidencial como estável "política e socialmente". O novo Presidente de Angola enceta uma remodelação e leva a cabo exonerações para afastar de cargos de poder os elementos mais próximos de José Eduardo dos Santos, incluindo os filhos. Isabel dos Santos é afastada da Sonangol.

Estala o escândalo da ‘Operação Fizz’, cuja investigação das autoridades portuguesas revela suposto esquema de branqueamento de capitais em Lisboa, que envolve o ex-vice-Presidente Manuel Vicente e o General Kopelipa, assim como outros homens de confiança de José Eduardo dos Santos, quando estavam no poder.

É o próprio José Eduardo dos Santos que confirma, no discurso de abertura da segunda sessão extraordinária do Comité Central, a saída da vida política, dizendo que "tudo o que tem um começo tem um fim". João Lourenço é eleito Presidente do MPLA quatro meses depois.

A PGR angolana abre investigação à Fundação José Eduardo dos Santos, por suspeita de crimes de burla por defraudação e corrupção ativa, apontados ao Presidente da instituição Ismael Diogo e que envolvem o filho de Dos Santos, José Filomeno, que chega a estar em prisão preventiva. José Eduardo dos Santos afasta a necessidade de escrutínio aos seus mandatos como Presidente e diz que deixou pelo menos 15 mil milhões de dólares nos cofres estatais ao executivo que lhe sucedeu.

No processo que investiga os negócios dos diamantes de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, o Tribunal Provincial de Luanda decide o arresto dos bens da empresária e considera que José Eduardo dos Santos teve um papel crucial em favorecer os negócios da própria filha e do genro.

O CM revela a casa de luxo em Barcelona, avaliada em seis milhões de euros, para onde José Eduardo dos Santos se mudou em 2019, para continuar a fazer tratamentos para o cancro. Rebenta o escândalo Luanda Leaks, investigação jornalística que olha à lupa para os negócios de Isabel dos Santos e denuncia o desvio de 115 milhões de dólares da Sonangol, na altura que foi Presidente da petrolífera, nomeada pelo pai, José Eduardo dos Santos.

No caso que julga o filho ‘Zenu’, José Eduardo dos Santos não responde inicialmente às perguntas do tribunal relacionadas com a suposta transferência indevida de 500 milhões de dólares do Banco Nacional de Angola (BNA) para outra instituição no exterior do país. Depois acaba por confirmar ter dado orientações para a transferência.

José Eduardo dos Santos vê o filho José Filomeno ‘Zenu’ ser condenado a cinco anos de prisão pelo caso da transferência de 500 milhões de dólares do BNA.

Morre o genro de José Eduardo dos Santos, Sindika Dokolo, marido de Isabel dos Santos, num acidente de mergulho no Dubai.

Após vários meses de reclusão, Dos Santos volta a ser visto em público no Dubai a embarcar para Barcelona, com o objetivo de retomar os tratamentos oncológicos.

Após mais de dois anos fora do país, José Eduardo dos Santos regressa a Angola.

João Lourenço visita José Eduardo dos Santos, depois de já o ter visitado três meses antes e de ter enaltecido o trabalho do antecessor na construção da paz em Angola.

O estado de saúde de José Eduardo dos Santos agrava-se. O ex-Presidente angolano fica internado nos cuidados intensivos no hospital de luxo em Barcelona e é ligado às máquinas.

A presidência de Angola anuncia a morte de José Eduardo dos Santos.