Não consta que Sun Tzu, o magistral autor de ‘A Arte da Guerra’, tratado militar chinês escrito no século IV, tenha desenvolvido qualquer teoria relativamente à inexistência de vegetação na principal praça da Cidade Proibida, o megalómano palácio imperial chinês, em Pequim, que celebra este mês 600 anos.
No pátio da Suprema Harmonia, que muitos de nós conhecem das cenas de ‘O Último Imperador’, de Bertolucci, não há árvores. Nem sequer um arbusto. Rezam as lendas que, assim, durante as aparições do imperador, o supremo poder divino não era ofuscado por nada.
Há também a teoria de que a praça era austera para não permitir qualquer esconderijo a assassinos e que, dessa forma, as linhas defensivas do imperador estavam salvaguardadas. Mas sobre isto, Tzu nada nos disse.
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Começada a construir em 1420, no início da Dinastia Ming, a imponente obra demorou 14 anos a terminar e o ar austero do monumento é temperado com toques de delicadeza oriental e obediência à harmonia do ‘feng shui’, com destaque para o Jardim Imperial e a sala da Paz Imperial, construídos em homenagem a Xuan Wu, a deusa das águas. É agora museu.
Durante séculos, foi no interior da Cidade Proibida que 24 imperadores transformaram a China. O último ocupante do complexo foi Pu Yi, forçado pela revolução a abdicar. Corria o ano de 1912.
Localizada no coração de Pequim, a Cidade Proibida é a mais complexa relíquia da arquitetura tradicional chinesa em madeira. Em nenhum outro lugar do Mundo existe um património medieval em madeira tão bem conservado.
Animais respeitados na tradição milenar chinesa, como o leão, dominam o complexo. E são venerados pelos visitantes do espaço declarado Património da Humanidade pela UNESCO em 1987: com 14 milhões de visitantes/ano, é o museu mais visitado do Mundo e é também o maior complexo de palácios alguma vez feito pelo Homem.
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