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Casa de luxo era barracão para as Finanças

Empresário Manuel Martins fazia uma vida de luxo: ostentava riqueza em todos os seus passos.

22 de maio de 2019 às 21:39

Entre os vários esquemas fraudulentos de Manuel Martins, inclui-se a moradia de luxo do empresário e da família. Uma casa de 600 mil euros mas que está registada por 12500 euros. Uma fraude ao Estado, com a conivência de uma ex-funcionária da autoridade tributária. O Investigação CM conta-lhe como este casal transformou uma casa de luxo num palheiro.

Manuel Martins fazia uma vida de luxo: ostentava riqueza em todos os seus passos, não se poupava a gastos, nem a adjetivos para se autopromover.

Em Paços de Ferreira, de onde é natural e vivia, todos o conhecem como rei da faturas falsas que deu o salto com a reconversão da WoodOne. Conseguiu levar à empresa gente de peso, tais como Paulo portas e Passos Coelho, que lhe abriram muitas portas no mundo dos negócios.

A exportação de móveis para países árabes e africanos eram a grande aposta e o governo do PSD servia de cartão de visita, mas os negócios ruíram em poucos meses. Ainda assim, o "Rolls-Royce" dos móveis manteve o estatuto de intocável.

Conseguiu ganhar tempo e vender os diversos imóveis que tinha no Algarve e em Vila Nova de Gaia. Ficou com o dinheiro que deveria ter servido para pagar as dividas de mais de 13 milhões de euros a fornecedores da empresa.

A insolvência foi declarada em agosto de 2017, mas durante um ano ainda conseguiu desviar património recorrendo a testas de ferro – um antigo funcionário que era da sua confiança e um casal: um empresário e uma jurista da Câmara de Paredes que enquanto funcionária da Autoridade tributária conseguiu aceder ao sistema das finanças para permitir pôr a salvo a moradia de luxo da família em Paços de Ferreira e que escapou a ser arrestada para pagar as dívidas.

 

Manuel Martins e a mulher, Ana Paula, mudaram-se com a filha para uma apartamento de luxo em Vila Nova de Gaia. Fazem uma vida discreta e na vizinhança ninguém sabia que partilhava o elevador com o "Rolls-Royce" dos móveis, até à ultima quarta-feira, quando a PJ do Porto fez buscas domiciliárias ao casal que em tribunal viu ser-lhe decretada a insolvência pessoal com dívidas superiores a seis milhões de euros.