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Centenas de trabalhadores das minas de urânio da Urgeiriça morreram com cancro

Centenas de trabalhadores das minas de urânio da Urgeiriça não resistiram ao cancro. Conheça vários casos

Ex-mineiros têm uma esperança média de vida de 65 anos e a maioria não escapou à doença.

25 de julho de 2019 às 21:19

O cancro é a doença mais frequente na vida de ex-trabalhadores e familiares das minas da Urgeiriça, em Nelas, distrito de Viseu. Estudos de causa-efeito sobre a exploração do minério não existem ou não são conhecidos. Mas o investigação CM apurou que os ex-mineiros têm uma esperança média de vida de 65 anos e a maioria não escapou à doença.

A história de Carlos Pereira é uma em centenas de casos de mineiros da Urgeiriça que morreram com cancro. Basta bater a qualquer porta da pequena localidade no concelho de Nelas para encontrar um desfecho idêntico.

Eram 200 trabalhadores que todos os dias estavam expostos a matérias radioativas. Sabe-se que mais de metade morreu ou teve cancro. Números ao certo não há porque até hoje não foi feito nenhum estudo que relacione a doença ao trabalho de exploração deste minério… ou pelo menos não é conhecido. Ficam as indemnizações que não pagam vidas e as consultas para os filhos.

Gaiato, como é conhecido no bairro da Urgeiriça, também andou pelas minas. No entanto, recorda a morte do pai por cancro, doença que também afetou as irmãs. Sente-se sortudo por ter escapado a este flagelo que atingiu ex-trabalhadores e familiares e recorda ainda o último homem que desceu ao subsolo.

No bairro da Urgeiriça há quem recorde o senhor Magalhães por não falhar a  tradição. Em pleno dia de Santa Bárbara, a padroeira colocava flores na estátua do mineiro. Ao Investigação CM, recorda que teve muitos problemas de saúde e morreu de repente.

Fernando Rodrigues vive no bairro da Urgeiriça há quase 40 anos. Também ele trabalhou nas minas. O que é certo é que já viu morrer muitos colegas mineiros, garantindo que a maioria dos vizinhos já são os filhos dos trabalhadores, que ali quiseram morar. Como a maioria, não sabe se a quantidade de colegas que morreu de cancro está relacionado com a exploração do urânio.

O Ministério do Ambiente refere apenas não ser a entidade competente para dar resposta a essa questão.