Café Santa Cruz, de Coimbra, celebra o Dia Nacional do Café Histórico

Com a inauguração de uma exposição de quadros d’A Brasileira do Chiado a 14 de Abril, Dia Nacional do Café Histórico

09 de abril de 2026 às 10:28
Café Santa Cruz celebra Dia Nacional do Café Histórico, com quadros d'A Brasileira
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As obras resultam do “Prémio de Pintura A Brasileira do Chiado”, lançado em 2024, no âmbito das comemorações do centenário da primeira exposição modernista realizada naquele café, em 1925. Os 10 artistas vencedores tiveram as suas obras expostas n’A Brasileira desde janeiro de 2025, substituindo temporariamente o conjunto instalado em 1971, entretanto sujeito a restauro e de regresso às paredes d’A Brasileira.

A exposição em Coimbra decorrerá no antigo altar-mor da Igreja de S. João de Santa Cruz, hoje espaço cultural do café, e será apresentada em dois momentos: a 14 de abril, Dia Nacional do Café Histórico, e a 8 de maio, data que assinala o 103.º aniversário do Café Santa Cruz.

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A inauguração de 14 de abril contará com um programa cultural: uma mesa redonda com alguns dos artistas vencedores e outro com representantes de Cafés Históricos portugueses, incluindo A Brasileira do Chiado, o Café Santa Cruz, o Café Majestic e a Pastelaria Gomes, todos cafés históricos. Será ainda apresentado um catálogo dedicado ao projeto, reunindo textos, imagens e contributos dos vários intervenientes. Com esta iniciativa, o Café Santa Cruz convida o público a participar num momento que celebra e projeta o património cultural dos cafés históricos em Portugal.

Mais do que uma exposição, esta iniciativa reforça o papel dos Cafés Históricos como espaços de memória, encontro e identidade cultural, onde diferentes gerações continuam a cruzar-se. Atualmente, 23 Cafés Históricos portugueses integram a Historic Cafés Route, uma rota cultural europeia certificada pelo Conselho da Europa, de que fazem parte quer o Café Santa Cruz, quer A Brasileira do Chiado.

Ao longo dos anos, Cafés Históricos como A Brasileira do Chiado (1905), em Lisboa, o Café de Santa Cruz (1923), em Coimbra, o Café Vianna (1858), em Braga, o Majestic (1921), no Porto, o Café Bar S. Gonçalo (1937), em Amarante, o Peter Café Sport (1918), nos Açores ou a Pastelaria Gomes (1925), em Vila Real, atravessaram épocas e resistiram aos muitos períodos conturbados da nossa história como a implantação da República, as duas Guerras Mundiais, o Estado Novo, a revolução de 1974, as convulsões económicas e sociais que se seguiram e mais recentemente a pandemia causada pela Covid 19 e pela guerra na Ucrânia.

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Muitos deles foram frequentados por grandes ilustres das artes: de Fernando Pessoa a Almada Negreiros n’A Brasileira, Bissaya Barreto no Café de Santa Cruz, Teixeira de Pascoaes no Café S. Gonçalo, Eça de Queiroz e Camilo Castelo Branco no Café Vianna ou J.K. Rowling no Majestic. Em todos eles, o tempo passa por si mesmo, como se não passasse, guardando nas paredes, nos lustres e no mobiliário as histórias de outras vidas.

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