Barra Cofina

Correio da Manhã

Comunicados de Imprensa
9

“E Morreram Felizes Para Sempre”, no teatro

É de noite. Dão-lhe uma máscara cirúrgica e convidam-no a explorar um hospital psiquiátrico...
24 de Junho de 2015 às 16:28

É de noite. Dão-lhe uma máscara cirúrgica e convidam-no a explorar um hospital psiquiátrico. A decoração, a música ambiente, tudo remete para os anos 40. De repente, depara-se com um médico a discutir com uma mulher. Eles não falam, mas dá para sentir uma forte tensão. Decide segui-los, até que chegam a uma Sala com um palco, onde todos dançam ao som da música. E assim começa a experiência…

"E Morreram Felizes Para Sempre" combina um edifício no Hospital Júlio de Matos, duas das mais marcantes estórias da História de

Portugal e uma experiência labiríntica que desafia os mais intrépidos e curiosos. Teve sessões experimentais durante a semana inaugural do LisbonWeek 2015, e abre agora oficialmente ao grande público, de quarta-feira a sábado.

Neste espectáculo, produzido pela Goosebumped em parceria com o LisbonWeek, e que tem o apoio institucional do Centro Hospitalar

Psiquiátrico de Lisboa e da Junta de Freguesia de Alvalade, os visitantes são convidados a explorar um edifício de dois pisos, com 27

salas, e a mergulhar num universo multissensorial e a descobri-lo sem qualquer tipo de barreiras ou inibições, já que as dez personagens se movem sem palavras e vivem as cenas por meio de expressão corporal - cada visitante é livre de traçar o seu caminho e de explorar o espaço ao seu próprio ritmo.

A história é inspirada na tragédia amorosa de D. Pedro I e Inês de Castro e na invenção da lobotomia, por Egas Moniz, vencedor do

Nobel da Medicina em 1949, no seguimento de uma nomeação obtida no primeiro Congresso Internacional de Psicocirurgia, rganizado no Júlio de Matos.

Em termos conceptuais, é o "anti conto de fadas". A relação de Pedro e Inês, expoente nacional das histórias de amor, está carregada de mitos populares, desde as lágrimas de sangue à própria exumação. E se as lágrimas de sangue fossem, afinal, resultado de uma lobotomia a Inês, a enfermeira que se envolve com Pedro, o médico residente? E se Constança, a mulher de Pedro, não morresse de desgosto mas de uma overdose de medicamentos? A destruição dos mitos expõe os contos de fadas à crua realidade... A de que ninguém vive feliz para sempre. É o cérebro, com os seus neurotransmissores, que comanda a paixão, não é o coração. E foi ao cérebro que Egas Moniz dedicou a sua vida e obra. É por ele que as histórias se ligam. Este tipo de teatro imersivo tem alcançado enorme sucesso em Londres e Nova Iorque, com destaque para produções como "Sleep no More", "Then She Fell" ou "The Drowned Man".

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)