Hábitos de Jogo Online dos Portugueses
Hábitos de Jogo Online dos Portugueses: 4 em cada 10 jogadores online continuam a usar plataformas ilegais. APAJO pede intervenção urgente do Estado para 2026.
· 40% dos jogadores online continuam a utilizar plataformas ilegais.
· São os jogadores mais jovens que manifestam maior apetência por operadores sem licença.
· No ranking das 15 plataformas mais utilizadas em 2025, destacam-se quatro operadores não licenciados.
· Associação regista ausência de progresso nos últimos anos e convoca o Governo, a AR, os reguladores e o Ministério Público a agir em 2026.
Lisboa, 6 de novembro de 2025 – O estudo “Hábitos de Jogo Online dos Portugueses”, realizado pela AXIMAGE para a Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO), revela que 40% dos portugueses continuam a apostar em plataformas ilegais. Entre os mais jovens, este indicador ainda é superior (43% entre os 18 e os 34 anos). Conclui-se ainda que quatro marcas não licenciadas surgem no top 15 de operadores utilizados, à frente de empresas com licença para operar em Portugal.
Desde 2022, o indicador da percentagem de utilizadores portugueses em sites ilegais não evoluiu positivamente, ficando sempre em torno dos 40%. E, como ilustração da falta de progresso, as marcas sem licença que já se destacavam na primeira edição do estudo, em 2019, continuam no topo de utilização em 2026.
“São já vários anos sem qualquer sinal de melhorias no que toca a proteger os consumidores do jogo ilegal” afirma Ricardo Domingues, Presidente do Conselho Diretivo da APAJO. “Com base nos dados do estudo, lançamos um repto ao Governo, à Assembleia da República, aos reguladores envolvidos, e a todos os restantes stakeholders públicos e privados, para conseguirmos resultados efetivos em 2026, ano que marca o 10º aniversário do lançamento dos primeiros operadores licenciados. É preciso tomar medidas com urgência. Não podemos continuar a lamentar-nos sem atuar. É por isso que propomos objetivos concretos objetivos já para 2026”.
Como linha de ação para o ano de 2026, a APAJO define os seguintes objetivos:
1. Acabar permanentemente com a disponibilização por operadores ilegais de métodos de pagamento associados a bancos portugueses, como o Multibanco, o MBWay e o Pay by Bank (transferência direta de conta bancária, nomeadamente com recurso a Open Banking).
2. Impedir a disponibilização por operadores ilegais, para utilizadores portugueses, de métodos de pagamento como cartões de crédito.
3. Impedir a promoção de operadores ilegais por parte influenciadores e criadores de conteúdo digital, redes sociais e meios nacionais.
4. Suprimir operadores ilegais dos resultados de pesquisa dos motores de busca e/ou plataformas de AI, e das redes de publicidade digital programática.
5. Lançar um sistema de monitorização permanente e bloqueio rápido de sites e aplicações ilegais.
6. Alargar a oferta de funcionalidades e produtos no mercado licenciado, nomeadamente os identificados no estudo como sendo procurados pelos jogadores quando optam pelo ilegal.
Como já tem acontecido ao longo dos últimos anos, a APAJO irá manter-se disponível para contribuir para estes objetivos e, ao longo dos próximos meses, irá apresentar propostas de medidas concretas para atingir os vários objetivos.
Plataformas licenciadas vs. plataformas ilegais
As três principais razões que os jogadores apontam para explicar a escolha pelos operadores não licenciados são as odds (componente preço), os bónus (promoções) e a oferta de jogos mais diversificada. Por outro lado, quando se pergunta aos jogadores que declaram apostar em operadores ilegais quais os produtos ou funcionalidades que gostariam de encontrar nos licenciados, as respostas são as seguintes: maior oferta de apostas desportivas, cashout completo, possibilidade de combinar apostas dentro do mesmo jogo (betbuilder), buy bónus nas slot machines, casino ao vivo, desportos virtuais, e-sports e póquer com liquidez partilhada internacionalmente.
Quando questionados sobre os motivos para jogar numa plataforma licenciada, as respostas recaem sobre a maior segurança (57,5%), o maior apoio ao cliente (37%) e a maior rapidez de levantamento (32,2%).
O estudo revela ainda que os utilizadores que recorrem a plataformas ilegais jogam mais frequentemente e gastam mais. Por exemplo, apenas 6% de quem usa exclusivamente operadores licenciados gasta mais de 100€ por mês, enquanto entre quem aposta em ilegais este número é 20% superior.
As principais vias de acesso a operadores ilegais são as redes sociais (36,8%), as recomendações de amigos (42,1%), a televisão (26,3%) e os motores de busca (15,8%).
A impunidade com que comunicam os operadores ilegais e disponibilizam métodos de pagamento portugueses parece estar a criar confusão no consumidor. Apenas 1/4 dos jogadores admite jogar em plataformas ilegais, um número abaixo da percentagem real (40%). Um facto que pode ajudar a explicar este dado é o seguinte: 61% dos utilizadores que jogam em operadores ilegais não parecem saber que o fazem, tal como é demonstrado pelo estudo.
Segurança no jogo online licenciado
No que diz respeito à performance dos operadores online, 79% dos jogadores que apostam exclusivamente em perfis licenciados está satisfeito ou muito satisfeito com as plataformas que habitualmente utiliza. 81% declara ter conhecimento da existência de ferramentas de jogo responsável, com 40% a declarar já ter recorrido a estas ferramentas, sobretudo para estabelecer “limites de aposta” e “limites de depósito” - estas são as opções que lideram as razões apontadas pelos jogadores inquiridos (52,1% e 43,8% respetivamente).
Os Hábitos de Jogo Online dos Portugueses é um estudo que a APAJO e os seus associados têm vindo a promover anualmente, como forma de perceber o setor das apostas face às possíveis variáveis que a sociedade atravessa, para que seja possível, com este conhecimento, uma evolução sustentável do mercado, e dando primazia à segurança de quem joga online.
O estudo, realizado com base em 1008 entrevistas a indivíduos registados em plataformas de jogo online com prémios em dinheiro, entre os 18 e os 65 anos, em junho de 2025, permitiu analisar questões como: a relação dos jogadores com o tipo de plataformas utilizadas (legais e ilegais), o conhecimento em relação à existência de licenças para jogo online e as razões para jogar em plataformas licenciadas ou em operadores ilegais.
Sobre a APAJO
APAJO é uma associação sem fins lucrativos, para a defesa e promoção do setor do jogo e apostas online e em particular das empresas que legalmente exerçam essa atividade em Portugal, bem como a prevenção e combate ao jogo ilegal e a promoção do jogo responsável e seguro.
Fundada em 2018, tem como presidente Ricardo Domingues. São membros da APAJO a Betano, Betclic, Bwin, Casino Portugal, ESC Online, Solverde.pt, BacanaPlay e Pokerstars BacanaPlay, a Evolution, a IGT - International Game Tecnology e a Playtech e a Omega Systems.
Para mais informações sobre a APAJO: https://apajo.pt/pt/
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