120 mil para ver as ‘diabruras’ de Bad Bunny
Maior fenómeno da música pop da atualidade dá hoje o primeiro de dois concertos no Estádio da Luz, em Lisboa. O espetáculo, de quase três horas, repete-se amanhã.
“Uma festa gigantesca de identidade compartilhada”. Foi assim que o jornal ‘El País’ resumiu o concerto de quase três horas que Bad Bunny deu, na sexta-feira e sábado passados em Barcelona, no arranque da sua digressão europeia, ‘DeBí TiRAR MáS FOtoS’ (nome do seu último álbum), a mesma que o cantor porto-riquenho não quis levar aos EUA, primeiro em protesto e depois por receio de detenções junto da comunidade latina (as letras das canções de Bad Bunny, recorde-se, estão recheadas de mensagens políticas). A imprensa espanhola fala de um “espetáculo colossal”.
Lisboa recebe-o esta terça e quarta-feira, no Estádio da Luz, em duas datas completamente esgotadas (120 mil pessoas), ou não estivéssemos a falar do maior fenómeno pop da atualidade. São quase três horas de espetáculo de alta intensidade musical e visual. Uma verdadeira demonstração de força, resistência e afirmação daquilo que é hoje a música latina no Mundo. Bad Bunny é o artista do momento, detentor de uma série de recordes (já bateu até números de Taylor Swift) e o seu espetáculo é uma prova de pura latinidade, uma mistura de ritmos tradicionais como a salsa, o merengue ou a bomba, misturados com o reggaeton (uma fusão do reggae com o hip hop e a música eletrónica). O concerto conta com dois palcos, incluindo o já famoso ‘Casita’, uma réplica das típicas casas porto-riquenhas.
Ao longo das quase três horas, o músico revisita os seus grandes sucessos. A expectativa está em saber se terá algum artista português convidado, algo que aconteceu em Espanha (em Barcelona contou com a artista catalã Bad Gyal). Depois de Lisboa, segue para Madrid (onde tem umas impressionantes 10 datas, entre 30 de maio e 15 de junho, com apenas alguns dias de descanso pelo meio). O cantor chegou a Lisboa no domingo.
Trump classifica-o de “terrível” e republicanos já pediram “prisão”
Se a carreira de Bad Bunny (que na verdade se chama Benito Antonio Martinez Ocasio) já vinha em crescendo nos últimos anos, a sua atuação deste ano (8 de fevereiro) no intervalo do Super Bowl, deu-lhe o impulso e a visibilidade que eventualmente ainda lhe faltavam. E bastaram apenas 13 minutos inteiramente em espanhol, focado em Porto Rico e na cultura latina (contou ainda com participações especiais de Lady Gaga e Ricky Martin), para levar o Presidente dos EUA, Donald Trump, a um ataque de nervos.
“Uma afronta à grandeza da América”, disse, indo ainda mais longe. “O espetáculo do intervalo do Super Bowl é absolutamente terrível, um dos piores de sempre! Não faz sentido... não representa os nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”, escreveu nas redes sociais. “Ninguém percebe uma palavra do que este tipo está a dizer e a dança é nojenta, especialmente para as crianças que estão a assistir nos EUA e em todo o mundo”, indignou-se ainda.
Os congressistas republicanos juntaram-se aos protestos e exigiram investigação ao espetáculo, multas e até prisão para Bad Bunny. Consideraram a apresentação ilegal por conter palavras que, traduzidas para inglês, justificariam a suspensão da transmissão, como “pénis” e “rabo”, que são proibidas na televisão de sinal aberto. “As crianças foram forçadas a testemunhar exibições explícitas de atos sexuais gay, mulheres a abanar-se provocativamente e Bad Bunny a agarrar descaradamente a sua virilha enquanto se esfregava no ar”, queixou-se ainda uma congressista norte-americana.
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