HOMENAGEM A ANITA GUERREIRO
Fernanda Baptista, Artur Garcia, Marina Mota, Maria José Valério, Wanda Stuart e Henrique Feist são apenas alguns dos muitos artistas que têm encontro marcado para esta noite, no palco do Teatro São Luiz, em Lisboa, para a festa de celebração dos 50 anos de carreira de Anita Guerreiro.
Trata-se de um espectáculo organizado por Carlos Jorge Espanhol, ao qual o S. Luiz decidiu associar-se e que recordará, por ordem cronológica, os maiores êxitos da fadista que também se tem destacado como actriz e que os mais novos conhecem sobretudo por causa das telenovelas nacionais.
A encerrar o espectáculo, a própria Anita Guerreiro cantará êxitos maiores do seu percurso musical, como sejam 'Tia Anica' (a canção que a lançou), 'Os Sinos' ou 'Calçadinha à Portuguesa'. Mesmo a encerrar, está prometido que interpretará o seu maior sucesso de sempre, 'Cheira Bem, Cheira a Lisboa', canção que saiu do alinhamento de um espectáculo de Revista à Portuguesa.
TUDO PELO ESPECTÁCULO
Nascida Bebiana Guerreiro Cardinalli, foi uma vizinha que lançou Anita Guerreiro no mundo artístico, inscrevendo-a, sem ela saber, no concurso 'Tribunal da Canção'. No entanto, assim que começou a cantar, nem teve de concorrer: foi logo apurada.
A sua estreia profissional aconteceu pouco depois, em Fevereiro de 1954, no palco do Teatro Variedades, no Parque Mayer, em Lisboa. Desde então, a 'miúda do Intendente' - como era conhecida - nunca mais parou de trabalhar.
Entre a música e o teatro, fez cerca de 50 Revistas à Portuguesa, das quais destaca quatro, todas apresentadas no Coliseu dos Recreios, na capital: 'Fonte Luminosa', 'Cidade Maravilhosa', 'Mulheres de Sonho' e 'Há Festa no Coliseu'.
Esta noite, como não é todos os dias que se comemoram 50 anos de carreira, pelo palco do S. Luiz passarão ainda amigos da artista que fazem questão de lhe dar um abraço e dizer algumas palavras sobre a sua pessoa e a sua carreira.
Casos de Ada de Castro, Alice Pires, António Calvário, Camilo de Oliveira, Maria João Abreu, Fernanda Lapa, Noémia Costa, Octávio de Matos ou Rita Salema, só para referir alguns nomes.
Sob a direcção-geral de Amadeu Fernando e com a colaboração do teatrólogo Vítor Pavão dos Santos, o espectáculo tem início marcado para as 21h00.
NAS SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS
Anita Guerreiro diz que entrar no mundo do espectáculo foi um sonho de criança que conseguiu concretizar. "No dia em que me estreei na revista 'Ó Zé Aperta o Laço' foi um delírio", recorda, acrescentando que, como era menor, teve de pedir autorização especial ao coronel Óscar de Freitas. Na altura, garante que nem sentiu o peso da responsabilidade. "Fui muito bem tratada, muito acarinhada. Era uma espécie de mascote e nunca estranhei aquele mundo. Afinal, estava a fazer o que gostava." Hoje, diz que teve muita sorte por iniciar a sua carreira artística numa época em que a criatividade abundava, não só em Portugal mas também no resto do Mundo. "Havia excelentes autores e músicos, e graças a eles tivemos muitos êxitos." Recorda ainda que fez digressões complicadas. "Cheguei a actuar em cima de uma camioneta, com dois focos de luz e nada mais. Nem microfones nem quaisquer condições acústicas". Um tempo que já lá vai. Actualmente, confessa que gosta mais de ser actriz do que de cantar. "Não quer dizer que não goste de cantar e não me empenhe. Mas ser actriz satisfaz-me mais".
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