‘Zeus’ demorou oito anos a chegar

Realizador foi à Argélia investigar vida de Manuel Teixeira Gomes.

05 de janeiro de 2017 às 08:29
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Manuel Teixeira Gomes tinha 65 anos quando abdicou da Presidência da República e rumou à Argélia, no paquete ‘Zeus’, para se dedicar apenas às letras. Deixou mulher e filhas e acabaria por morrer durante o exílio voluntário, 16 anos depois.

Paulo Filipe Monteiro apaixonou-se pela história e decidiu levá-la ao ecrã, mas entre a ideia e a concretização passaram oito anos. ‘Zeus’, que estreia hoje nas salas de cinema portuguesas, tem Sinde Filipe no protagonista e custou um milhão de euros a produzir (600 mil portugueses e 400 mil argelinos). Demorou tanto "porque havia muita pesquisa a fazer", explica o realizador.

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"Mesmo os biógrafos do Teixeira Gomes nunca foram à Argélia, portanto em 2010 fui a Bugia, cidade onde esteve, e consegui encontrar velhotes que ainda se lembravam dele", revela. Depois, reconhece, "a montagem de um filme de época é sempre complicada". O filme, que conta também com interpretações de Ivo Canelas, Paulo Pires e Rita Brütt, entre outros, não foge sequer ao tema da suposta homossexualidade do escritor. "Teixeira Gomes era um homem de grande sensualidade e tanto descrevia a beleza do corpo feminino como do masculino, o que lhe valeu dissabores", diz. No entanto, ao fim de quase uma década de pesquisa, o realizador tem uma opinião firme sobre o assunto. "Acho que ele tinha essa sensibilidade mas que nunca praticou. É a minha convicção."

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