Artistas exigem mais dinheiro do Estado
Milhares de pessoas saíram às ruas de Lisboa, Porto, Coimbra, Beja, Ponta Delgada e Funchal a pedir 1% do OE.
A forte chuva que esta sexta-feira se abateu um pouco por todo o País não travou os protestos de milhares de profissionais contra a falta de financiamento das artes culturais. Os protestos vêm na sequência do novo modelo de apoio às artes, depois de conhecidos os resultados provisórios do programa de financiamento até 2021.
Fosse em Lisboa, Porto, Coimbra, Beja, Funchal ou Ponta Delgada, as vozes dos artistas elevaram-se para exigir 1% do Orçamento do Estado para a Cultura. Em causa está o que consideram ser um combate à precariedade, depois de, nos últimos dez anos , o apoio às artes ter sido o que classificam como uma tragédia.
"Há colegas que têm a vida a prémio e que continuam a fazer espetáculos com empréstimos", afirmou ao CM Maria Rueff, que fez questão de estar presente no Rossio, em Lisboa. "Isto não pode acontecer!"
Já Cláudia Vieira, em frente ao Teatro D. Maria II, sublinhou que "a maioria das pessoas não tem a mínima consciência de que um ator tem trabalho durante três meses e fica três anos sem trabalho".
No Porto cerca de duas centenas de manifestantes também exigiram mais apoio à cultura. E nem todos eram artistas, como foi o caso de Bruno Madeira. O bolseiro de investigação científica, justificou a presença na manifestação por ser utente dos espetáculos. "Acho inadmissível os cortes que o Governo está a aplicar às várias estruturas e companhias culturais".
DEPOIMENTOS
Rita Blanco, 55 anos, atriz
"Porque continuam a achar que 1% é muito dinheiro?"
"Porque é que continuam a achar que um por cento (1%) – que é uma ínfima parte do Orçamento do Estado português – é muito dinheiro para uma coisa fundamental como é a cultura do nosso País? Não faz qualquer sentido."
Sara Barros Leitão, 27 anos, atriz
"Não é só pelo dinheiro, é pela dignidade"
"Precisamos de muita coisa, não só do dinheiro, isto também tem a ver com a nossa dignidade. Este modelo não serve e precisamos de rever questões estruturais. Esta questão já não é de agora mas está cada vez mais gritante."
Sara Gonçalves, 41 anos, atriz e encenadora
"Defendo a partilha entre diferentes gerações"
"Manifesto-me por uma política cultural consistente, onde o financiamento e a sua distribuição são muito importantes. Defendo a partilha entre diferentes gerações e que o País apoie criadores nas várias áreas da cultura".
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