OMD em Lisboa: festa rija para celebrar 40 anos de carreira
Mestres da pop eletrónica deram lição de mestria numa Aula Magna praticamente esgotada.
Festa, celebração, abraços e muitos beijos. Foi assim a ótima celebração que os Orchestral Manoeuvres in the Dark ofereceram esta terça-feira à multidão que quase esgotou a Aula Magna em Lisboa.
Paul Humphreys já tinha dados pistas do que iria acontecer em palco (e fora dele) na entrevista que deu ao Correio da Manhã, naquela que foi a primeira atuação da digressão europeia ‘40 Years Greatest Hits’ para promover a compilação ‘Souvenir –The Singles 1979/2019’.
"O concerto não será propriamente uma surpresa: vamos cantar todas as canções que o nosso público quer ouvir, mas vamos ter algumas novidades, exactamente porque os OMD também são reconhecidos pelo experimentalismo."
Não era uma tarefa fácil, no entanto, tendo em conta a imensa discografia da banda; só em álbuns originais são 13 registos.
Mesmo assim, Paul Humphreys nas teclas, e Andy McCluskey na guitarra e na voz, conseguiram destacar as canções que moldaram a juventude de duas gerações de fãs um pouco por todo o mundo.
Aliás, talvez essa tenha sido a principal pecha de uma noite fantástica, já que grande parte da audiência parecia já ter passado dos 35/40 anos de idade.
O espectáculo abre com ‘Isotype’, do álbum ‘The Punishment of Luxury’, de 2017, para sentir o pulso à sala, para depois arrancar com ‘Messages’ para um alinhamento de luxo.
"Levantem-se das cadeiras", lançou Andy McCluskey, "porque vamos todos dançar". Nem foi preciso dizer mais; quase parecia que os assentos tinham molas escondidas porque de imediato todo o público se pôs de pé.
Clássicos como ‘Tesla Girls’, ‘(Forever) Live and Die’ e ‘Joan of Arc’, entrecortados pelos mais recentes ‘History of Modern (Part 1)’ e ‘The Punishment of Luxury’, ecoaram pela sala como se tivessem sido acabados de compor.
No meio do frenesim criado pela audiência, surge a inédita ‘Don’t Go’, canção que fecha a compilação ‘Souvenir’.
"Desejem-me sorte porque é a primeira vez que a vou cantar ao vivo", brincou McCluskey, antes dos primeiros acordes desta estreia planetária.
O concerto aproximava-se depressa, demasiado depressa do fim, com os êxitos maiores guardados para a última parte da noite.
‘Dreaming’, ‘Locomotion’, ‘Sailing on the Seven Seas’ e o imprescindível ‘Enola Gay’ fecharam a atuação mas ninguém arredou pé até a banda regressar ao palco para um ‘encore’ emocionante.
Depois de ‘If You Leave’ e ‘Secret’, Andy McCluskey explica: "Vamos acabar como começámos! Se cantámos no início ‘Messages’, o nosso segundo ‘single’…"
Começam a soltar-se as vozes e a gritar por ‘Electricity’, a canção que lançou os Orchestral Manoeuvres in the Dark para uma carreira que faz parte do universo musical de qualquer boa discografia.
Final em grande, com os atores da noite a abraçarem-se, envolvidos pelos aplausos de um público que mantém ainda uma enorme paixão pela banda.
Mais logo, é a vez dos fãs do Porto apreciarem a dinâmica dos OMD numa Casa da Música já esgotada. É lá que continua a festa!
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt