A ARTE DE SER ALENTEJANO EM TERRA ALHEIA
Terminou em apoteose, ontem, o espectáculo de apresentação, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), do último disco da Ronda dos Quatro Caminhos, 'Terra de Abrigo'.
Outra coisa não era de esperar, pois, já com 20 anos de existência e sem grande exposição em salas como o CCB, ao juntar um leque de convidados de reconhecido gabarito, o grupo esgotou o concerto (único) de ontem à noite e teve de agendar uma 'matinée' extra.
Não só a Ronda envolveu mais de cem cantores e músicos (um coro formado por seis corais masculinos alentejanos, curiosamente com cinco mulheres), músicos solistas - Miguel Angel Cortés (guitarra), Inna (violino), Pedro Caldeira Cabral (viola campaniça) e Eldevina Materula (oboé) - três cantoras (Esperanza Fernandez, Amina Alaoui e Katia Guerreiro) e o grupo Saias Raianas, além da Sinfonietta de Lisboa, sob a batuta de Vasco Pierce de Azevedo) como trabalhou a ideia, tão bem agarrada como envolvente, de acompanhar o canto-chão com uma orquestra clássica.
Aos cantores e músicos, juntaram vozes e sons específicos que deram vida a um concerto em que se cruzou a 'ruralidade' cosmopolita com alguma sofisticação sonora. A 'muralha' de cantores que normalmente se apresentam 'a capella' serviu de poderoso respaldo aos solistas que traduziram em som a nostalgia dos campos alentejanos e a tradição secular do canto do antigo Al Andaluz.
A bela voz, cheia e quente, do solista João Oliveira, a da fabulosa Kátia Guerreiro e as da cantora espanhola e da diva magrebina, levaram-nos pelos caminhos de Portugal. Tudo pela mão de um grupo de música de raiz tradicional que se tem dedicado de alma e coração à recuperação e divulgação do património de transmissão oral.
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