A CONQUISTA DE CEUTA POR LOUREIRO DOS SANTOS
Uma nova visão sobre a Conquista de Ceuta, ocorrida em 1415, foi lançada no mercado pela editora Prefácio, uma obra da autoria do general Loureiro dos Santos. A obra, além de um conteúdo inovador na forma de encarar o acontecimento, traz a público uma visão gráfica da História, à semelhança do que vem acontecendo com a Prefácio no âmbito da colecção Batalhas de Portugal.
Foram já publicados os títulos “Cerco do Porto - 1832-33”, de David Martelo, “La Lys - 1918”, de Mendo Castro Henriques e António Rosas Leitão, “Moçambique - 1970”, Carlos de Matos Gomes, e “Invencível Armada - 1588”, de Augusto Salgado e João Vaz, além de “Ceuta - 1415”, de Loureiro dos Santos. A colecção traduz um conceito “popularizante” da História de Portugal, recorrendo a bastantes imagens, inclusive de explicação gráfica das batalhas, mas sem fugir ao rigor histórico, até pelos autores.
A abrangência é grande e, por exemplo, com “Moçambique - 1970”, de Matos Gomes, regressa-se de forma fácil ao contexto da guerra em África e da operação “Nó Górdio”. Talvez pela concepção gráfica seja fácil ao grande público mergulhar mesmo em conceitos técnico-militares que de outra forma lhe estariam vedados.
ABORDAGEM ESTRATÉGICA
Da mesma forma acontece com “Ceuta - 1415” em que Loureiro dos Santos consegue fazer uma abordagem de conteúdo estratégico, mas passível de ser acolhida pelo leitor comum. O autor foca as várias vertentes das causas que presidiram à conquista, frisando também a importância que já então tinha o estreito de Gibraltar em termos geoestratégicos, uma visão a que Loureiro dos Santos nunca deixará de estar ligado - e a mensagem está lá ilustrada por profusos e coloridos mapas, compreensíveis mesmo numa rápida consulta.
O general, que visitou Ceuta para a elaboração do livro, explica também de forma acessível a manobra táctica com desembarque anfíbio e criação de uma testa de ponte projectada por D. João I para a tomada da cidade, um faseamento suportado por uma infografia tridimensional - novidades da colecção no panorama editoral português, que permitem o absorver destes conceitos mesmo que não tenha qualquer formação militar.
CONTRA-INFORMAÇÃO
Em termos de conteúdo, Loureiro dos Santos traz a público toda a manobra de contra-informação que o Rei D. João I usou para esconder os reais objectivos da constituição da expedição, deixando mesmo confundido o reino muçulmano de Granada, enquanto Ceuta permanecia sem grandes receios, ignorando que era, de facto, o verdadeiro alvo.
D. João I surge também associado a Nuno Álvares no processo de tomada de decisão seguindo patamares ainda hoje actuais, mostrando um rei que foi um “grande dirigente político--militar”, nas palavras de Loureiro dos Santos.
Em contrapartida, o Infante D. Henrique surge como um príncipe “em que são claras as suas insuficiências tácticas e estratégicas” um homem “elevado pelo Estado Novo a figura histórica de referência, por analogia com o perfil de Salazar (também ele só, incompreendido e desinteressado, no gabinete de S. Bento, tal como D. Henrique no rochedo de Sagres)”.
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