“A ficção impõe a sua própria realidade”: José Eduardo Agualusa espera que livro seja bem acolhido pelo público

‘Mestre dos Batuques’ é uma bela história de amor e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre a monstruosidade do universo colonialista.

27 de outubro de 2024 às 01:00
Escritor angolano José Eduardo Agualusa acaba de publicar ‘Mestre dos Batuques’
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Francisco José Viegas não tem dúvidas: ‘Mestre dos Batuques’ (Quetzal) é “o melhor livro de José Eduardo Agualusa”. O que, numa obra tão vasta quanto a do escritor angolano de 63 anos, não é dizer pouco. O próprio autor admite ter ficado “feliz” por saber que o seu editor – e colega escritor – apreciou uma obra que conta uma intrincada (e arrepiante) história de amor enquanto, paralelamente, nos pinta um retrato divertido, irónico e cruel de um país embriagado com o poder colonial. Um livro recheado de figuras ridículas mas redimido pela presença de personagens capazes dos mais valentes e honrados atos de heroísmo.

“É um falso romance histórico”, admite ao CM. “Ou então é um romance histórico de um universo paralelo, na medida em que, a determinada altura, se afasta da história deste nosso Mundo...”

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Resultado de “uma grande pesquisa” – nomeadamente de jornais do início do século XX – ‘Mestre dos Batuques’ contém alguns episódios autênticos. Agualusa diz que “os mais extraordinários” aconteceram mesmo. Como a história da libertação de “escravos portugueses do rei do Bailundo” – livres após a intervenção de “um próspero comerciante negro”.

Já as personagens centrais – as dos apaixonados Jan e Lucrécia –, garante que não sabe explicar como as criou. “[As personagens] surgem dentro de nós, vão crescendo, e, se tudo der certo, a partir de certa altura ganham vida própria e ajudam-nos a conduzir a narrativa. Tento acolhê-las, estar disponível para as acompanhar, ir recolhendo as informações necessárias para que possam crescer e avançar. Uma boa personagem pode até partir de um modelo real, mas se não conseguir afastar-se dela nas primeiras páginas, acaba colapsando. A ficção impõe a sua própria realidade”, sublinha.

Agora que o livro está nas livrarias, José Eduardo Agualusa espera que seja bem acolhido pelo público. O que, aponta, é sempre uma incógnita. “Um escritor nunca sabe se um livro vai ou não ter sucesso, isto é, se terá muitos leitores ou não. Se terá boa crítica ou não”, constata, notando que “há livros que inicialmente não conseguem alcançar muitos leitores, e depois, por um motivo ou outro, recomeçam a vender”.

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