A Lolita de Leonel

Um, dois, três, sobe (a perna). Outra vez, repete”. As instruções da professora Patrícia Abreu, bicampeã nacional de aeróbica, marcam o ensaio de uma cena de ‘A Arte de Roubar’, o novo filme que Leonel Vieira roda nos arredores de Lisboa.

15 de outubro de 2007 às 00:00
A Lolita de Leonel
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Na ficção, é a colombiana Flora Martínez quem veste a pele da professora de aeróbica, ‘Lola’, e o ensaio serviu para delinear as coreografias que a actriz terá de ensinar aos alunos, um grupo de idosos e não só – o cantor Olavo Bilac também dá uma perninha no step.

A equipa liderada por Leonel Vieira está “encantada com ela”, diz alguém no plateau. Não é para menos. Flora irradia simpatia e dinamismo e nem mesmo uma hora a saltar em cima do step a faz quebrar. “Adoro ginástica, de vez em quando danço e vou ao ginásio”, admite, numa pausa, ao CM. O ginásio fica em Barcelona onde a actriz vive há dois anos. “Fui lá fazer um filme, apaixonei-me e fiquei. Adoro a cidade”, afirma, confessando ainda o outro “amor” que a fez ficar, o namorado, músico, com quem está a desenvolver um projecto musical.

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Pois é, Flora também canta. E encanta. Sobretudo o realizador que, mais do que reconhecer que a actriz “é linda”, não deixa de enaltecer a protagonista de ‘Rosario Tijeras’, o filme do mexicano Emilio Maillé que viu e o levou a querer inclui-la no elenco de ‘A Arte de Roubar’ (que também produz), onde terá cenas ‘muy calientes’ com Ivo Canelas.

Como ‘Rosario Tijeras’, Flora viu ainda o talento reconhecido na Colômbia, onde viveu desde bebé, depois de sair de Montréal, onde nasceu há 29 anos. Já rodou com espanhóis, colombianos e norte-americanos, como em ‘Prova de Vida’, com Russel Crowe e Meg Ryan.

FILME EM INGLÊS

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“O Leonel é fantástico e tem uma noção total de cinema internacional e vocês, portugueses, são muito genuínos, sem precisarem de ser histéricos”, observa, fazendo um risinho doce e enaltecendo a aposta do cineasta em rodar um filme integralmente em inglês. “É óptimo. Tem muito mais hipóteses no mercado americano”, opina a actriz sobre a película que, além da co-produção brasileira e espanhola, tem já um contrato de vendas internacionais com a Filmax International.

Aos 29 anos, Flora Martínez já fez teatro e televisão mas é o cinema que lhe tem granjeado popularidade no seu país, a Colômbia, e em Espanha, onde vive há dois anos. Filha de mãe canadiana e pai colombiano, estudou no Conservatório de Actores de Nova Iorque. Alheia ao ‘star system’ de Hollywood, é o teatro que a deslumbra. Em Portugal, estreia-se no grande ecrã pela mão de Leonel Vieira.

TOCHAS E BILAC: ACTORES POR UM DIA

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No cinema, a palavra ‘acção’ repete-se vezes sem conta. Mas Enrique Arcé e Ivo Canelas não se incomodam e aproveitam as pausas para solidificar a cumplicidade que os une perante a câmara operada pelo director de fotografia, José António Loureiro. “É incrível: em poucos dias ficámos logo com esta empatia”, confirma o valenciano de 33 anos, co-protagonista de ‘A Arte de Roubar’. O ambiente das filmagens é descontraído, ao invés da cena em rodagem. Ao volante de um Buick Sky Lark de 1962, os dois ‘rufias’ da história chegam a uma bomba de gasolina esbaforidos. Arcé (‘Fuentes’) salta do carro e corre para o café, pressionando o empregado (Pedro Tochas) a dar-lhe gelo. “Não há”, diz o comediante, em estreia no grande ecrã. Arcé desespera e sai a correr enquanto ‘Chico’ (Ivo), vestido de toureiro, espera no carro, agarrado à orelha que não pára de sangrar... Sem revelar o filme, desvendamos a participação de Olavo Bilac (Santos e Pecadores) numa aula de aeróbica: “É só uma brincadeira”, ri-se o cantor, que faz uma perninha no cinema pela segunda vez, depois de ter participado em ‘Pulsação Zero’, de Fernando Fragata.

"IVO CANELAS É MUITO DIVERTIDO"

Flora Martínez não poupa elogios ao ‘partenaire’ Ivo Canelas, com quem vive um amor atribulado em ‘A Arte de Roubar’: “É superprofissional e muito divertido”. Ele devolve o cumprimento e gaba-lhe a beleza e o talento. Já Enrique Arcé terá mais cenas com a ‘nossa’ (também) bela Soraia Chaves. “Agora que fala nisso, é uma rapariga bem gira”, brinca. Em termos de elogios, no set, Flora é a rainha. Dona de uma animação contagiante e de um sorriso doce, a colombiana está desejosa de aproveitar ao máximo esta primeira estadia em Portugal, a que se seguem filmes na Colômbia e em Espanha. E se um dia tiver de escolher, não é Hollywood que a impressiona, mas o teatro: “Adoro toda aquela magia, desde que a cortina sobe”.

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