“A obra é pornográfica mas o espetáculo não”, diz Maria João Abreu sobre nova peça

Peça provocadora com Maria João Abreu chega esta quarta-feira ao Teatro da Trindade, em Lisboa.

30 de janeiro de 2019 às 01:30
Maria João Abreu com Martim Pedroso numa cena deste espetáculo inspirado em Marquês de Sade Foto: José Caldeira
Maria João Abreu com Martim Pedroso numa cena deste espetáculo inspirado em Marquês de Sade Foto: Direitos Reservados

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Maria João Abreu admite que aceitou fazer ‘Boudoir – 7 Diálogos Libertinos’, de Martim Pedroso, mesmo antes de ler o texto e sem conhecer a obra do Marquês de Sade em que o espetáculo se inspira (o escandaloso ‘A Filosofia na Alcova’, publicado em 1795).

"Fiquei em pânico quando comecei a ler o texto, mas descansei logo aos primeiros ensaios com o Martim", recorda a atriz. "Percebi que o encenador ia optar por uma abordagem mais inteligente e menos óbvia. Sim, porque a obra é pornográfica, mas o espetáculo não é", garante.

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‘Boudoir’, que estreia esta noite no Teatro da Trindade, em Lisboa, depois de uma curtíssima passagem pelo Teatro do Campo Alegre, no Porto, é para maiores de 18 e afirma-se como "uma provocação" em forma teatral.

"O Sade escreveu ‘A Filosofia na Alcova’ para chocar os puritanos, para protestar contra os espartilhos da religião. Atenção que este é um homem que, no século XVIII, já defendia a igualdade de géneros...", lembra a atriz, que acha que o espetáculo é para todo o tipo de público.

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"Obviamente, quem é fã de Sade vai adorar. Quem não conhece vai ficar incomodado - mas essa é, também, a função do teatro", conclui Maria João Abreu.

Pormenores

Preparação intensa

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Para que o espetáculo tivesse maior impacto visual, os atores prepararam-se intensamente durante dois meses e tiveram aulas de movimento e de dança do varão. Maria João Abreu diz que aprendeu muito com este trabalho. "Sinto-me uma pessoa enriquecida", afirma.

Elenco de oito atores

Além de Maria João Abreu estão em palco os atores Flávia Gusmão, João Gaspar, João Telmo, Margarida Bakker, Pedro Monteiro e Statt Miller. Martim Pedroso, que encenou, também interpreta. A peça fica até 10 de março. Bilhetes de 8 a 10 euros.

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