A paródia Stravinci
Depois de Dan Brown ter posto toda a gente a ler ‘O Código Da Vinci’, Toby Clements promete pôr todos a rir com ‘O Código Stravinci’ (ed. Difel), recém-chegado às livrarias.
O nome não engana e, se dúvidas houvesse, a capa acabava com elas colando ao enigmático sorriso de Mona Lisa, nada mais nada menos do que um ‘cigarrinho para rir’... ‘O Código Stravinci’ é, pois, a versão humorística do livro de Dan Brown.
Sobre Toby Clements, sabe-se que se trata do pseudónimo de um crítico literário do jornal britânico ‘Daily Telegraph’ que, provavelmente, farto de escrever sobre Dan Brown terá decidido escrever como ele e, entretanto, o diário já se manifestou a propósito: “Uma formidável sátira ao estilo, à narrativa, às personagens, à estrutura e ao vocabulário limitado de ‘O Código Da Vinci’. De leitura imperdível.”
Conhecido o veredicto dos pares, o livro está pronto para o Mundo... Mas estará o Mundo pronto para ele?
Não terão sido muitos os que escaparam imunes à ‘febre’ mas é para eles o resumo da história que já vendeu qualquer coisa como 50 milhões de exemplares.
O ORIGINAL
Harvard Robert Langdon, simbologista de renome, está em Paris para uma conferência quando recebe a notícia de que o velho curador do Louvre foi encontrado morto no museu e, com ele, um código indecifrável. Chamado a intervir, Langdon, auxiliado por uma dotada criptologista francesa, vai levantar uma série de pistas inscritas nas obras de Da Vinci. E é quando tudo parece sob controlo que tudo se descontrola com a descoberta de uma insuspeita ligação entre o falecido curador e o Priorado de Sião: sociedade secreta a que teriam pertencido Newton, Botticelli, Victor Hugo e Leonardo Da Vinci.
A VERSÃO
Na versão de Toby Clements tudo se repete mas com o humor no lugar do mistério e diálogos tão bizarros como hilários... Mais: o nome de Da Vinci é poupado à paródia mas o do curador nem por isso e de Saunière a Sanitaire é um fósforo!
“Que estava Sanitaire a tentar dizer? A neve, os carris, o casaco comprido, o livro sobre comboios... De repente, fez-se luz. Claro! Anna Karenina! Gordon Sanitaire montara a cena para imitar a morte de Anna Karenina debaixo das rodas... das rodas de um comboio!”, lê-se, logo às primeiras páginas.
E a paródia continua, prolongando-se muito para além das fronteiras de Dan Brown. Tome-se como exemplo a explicação dada à lenta actuação policial em resposta ao alarme accionado por um Sanitaire já moribundo: “Monsieur, estamos na Bélgica. Há papelada a preencher, cigarros a fumar e queixas a fazer. Viemos o mais depressa que pudemos.”
Posto isto, estamos com o ‘Daily Telegraph’: leitura imperdível mesmo para os resistentes de Dan Brown e sucessores.
Elas aí estão, mais especulações históricas com tratamento policial: ‘A Conspiração do Graal’ é uma obra de Lynn Sholes e Joe Moore, recém-editada pela Europa-América. E, desta vez, temos o conservador do Vaticano a revelar ao Mundo, via conferência de Imprensa, o inimaginável: “O artefacto descoberto recentemente no Iraque é o cálice usado por Jesus na Última Ceia”. Mas há mais: ‘O Último Catão’, de Matilde Asensi e da Dom Quixote sob argumento, igualmente, ‘déjà-vu’: o Vaticano e o Arquivo Secreto. Uma paleógrafa e um cadáver rodeado de pistas para ‘a verdadeira’ Cruz de Cristo. Enigmas e sociedades secretas. Acrescente-se a ‘Divina Comédia’, de Dante Alighieri, a prometer a chave do segredo e... Qualquer semelhança com qualquer outra ficção não será coincidência!
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