A PRIMEIRA DAMA DO CINEMA
"Rodeada daqueles que amava", Katharine Hepburn, considerada a primeira dama do cinema, actriz que mais Óscares ganhou (quatro) morreu ao início da tarde de domingo na sua mansão em Old Saybrook, no Connecticut. O funeral será privado.
Responsável pela redefinição do papel das mulheres na Sétima Arte, tornando-se num ícone do feminismo, Hepburn tinha vários problemas de saúde, incluindo a Doença de Parkinson, e há vários dias que não falava.
Com a morte de Katharine Hepburn, cuja carreira de mais de seis décadas está indelevelmente ligada a muitos dos grandes filmes produzidos em Hollywood, morreu também o tempo das grandes estrelas. O tempo em que a mística cinematográfica se devia ao charme e ao carácter dos actores.
Por muitos considerada a maior actriz de sempre, lenda do teatro e do cinema, Katharine viveu uma existência simples, longe do "glamour" de Hollywood, marcada pela relação amorosa que manteve durante 25 anos com o actor - e seu "partenaire" favorito - Spencer Tracy, com quem protagonizou momentos inesquecíveis em filmes como "A Primeira Dama", "Terra das Ambições", "A Mulher Que Sabe Tudo", "Adivinha Quem Vem Jantar?".
PERSONALIDADE VINCADA
Recordista de nomeações para os Óscares, até este ano, em que foi ultrapassada por Meryl Streep, Katharine Houghton Hepburn nasceu a 12 de Maio de 1907, em Hartford, no Connecticut, e, como viria mais tarde a confessar, sempre foi fascinada pelo cinema. Filha de um médico e de uma sufragista, estreou-se em palco numa produção amadora aos 12 anos. Concluídos os estudos em Bryn Mawr, partiu em digressão com uma companhia teatral, acabando por chegar à Broadway.
No início dos anos 30, Hollywood chamou-a. E fazendo jus à vincada personalidade, Katharine teve a audácia de recusar a primera proposta de contrato com a Paramount Pictures para depois negociar um chorudo salário com a RKO: 1500 dólares por semana, que a empresa aceitou após visionar o teste que ela fizera para "Vítimas do Divórcio", sob a direcção de George Cukor. Ao lado de John Barrymore começava a carreira de uma das "50 Maiores Lendas do Cinema".
“TESOURO”
“Katharine Hepburn deliciou audiências com o seu talento único por mais de seis décadas. Era conhecida pela inteligência e espírito e será lembrada como um dos tesouros artísticos da nação” (George W. Bush, presidente dos EUA).
“REVERÊNCIA”
“Penso que todas as actrizes do Mundo olhavam para ela com uma espécie de reverência e desejavam ser como ela” (Elizabeth Taylor, actriz, com quem Hepburn contracenou em “Bruscamente no Verão Passado”).
“DISTINTA”
“Ela era uma actriz distinta e corajosa, uma actriz extraordinariamente poderosa. Era uma ‘marginal’ – não se encaixava no sistema dominado pelos estúdios. Ela era a mulher de si própria” (Sheridan Morley, autor de uma biografia da actriz).
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