À procura de um assassino em série: "Um interrogatório" está no Teatro Paulo Claro em Lisboa
Artistas Unidos levam à cena peça britânica que o encenador Nuno Gonçalo Rodrigues descreve como "um duelo de cérebros".
Uma detetive recebe um suspeito na sala de interrogatório. Ela (Eduarda Arriaga) acredita que ele (Simon Frankel) matou uma mulher e é responsável pelo desaparecimento de outra. Ele defende-se: está a ser vítima de perseguição; é por preconceito que a polícia o persegue.
Eis o ponto de partida para ‘Um Interrogatório’, do britânico Jamie Armitage, que Nuno Gonçalo Rodrigues dirigiu e está a apresentar no Teatro Paulo Claro, em Lisboa.
A peça, revela, chegou aos Artistas Unidos “através de um circuito familiar”.
“O texto estreou no Reino Unido, no festival Fringe, e interessou-me logo pelas possibilidades cénicas que oferece”, recorda o encenador. “Há muito tempo que queria trabalhar o vídeo em contexto teatral e a peça inclui essa vertente. É, aliás, através do vídeo que o espectador desvenda o mistério contido na história”, nota.
Em cena, além dos atores, estão também imagens desses mesmos atores, recolhidas em tempo real, que multiplicam as suas expressões e dão ao espectador perspetivas diferentes daquilo que está a acontecer à sua frente. O texto, defende Nuno Gonçalo Rodrigues, só “aparentemente” é simples.
“A peça usa uma linguagem que nos é acessível, através das séries policiais que vemos todos os dias, mas quando é lida em profundidade levanta questões de ética, de justiça, de preconceito de género e de classe”, sublinha o encenador, que diz ter escolhido o elenco “de forma muito intuitiva”.
Além de Eduarda Arriaga (“com quem queria muito voltar a trabalhar”) e de Simon Frankel (“que tem o charme necessário para nos deixar na dúvida até ao fim sobre a culpabilidade da personagem”), em cena reencontramos Américo Silva (que faz de chefe, “um papel que sei que faria muito facilmente”).
‘Um Interrogatório’, que o encenador descreve como “um duelo de cérebros” , é para ver até 23 de maio.
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