“A profissão de ator é até à morte”: Cleia Almeida estreia-se como encenadora no Teatro Aberto
Vítor Silva Costa e Alfredo Brito são dois personagens do espetáculo ‘Uma Vida no Teatro’.
Aos 41 anos, Cleia Almeida acaba de se estrear como encenadora com o espetáculo ‘Uma Vida no Teatro’ - em cena no Teatro Aberto, em Lisboa. A peça, de David Mamet, foi publicada em 1977 e a atriz viu uma montagem em Londres, "há alguns 20 anos", quando estudava no Conservatório. Na altura, achou que a encenação falhava a essência do texto.
"Achei o espetáculo demasiado comercial. Passava ao lado da densidade que lhe encontrei: o conflito de gerações e a agonia que os atores sentem quando deixam de ouvir bem e de conseguir decorar texto", revela. "A profissão de ator é até à morte, e não tem graça ter de a abandonar porque o corpo já não colabora", acrescenta.
Em palco, Vítor Silva Costa e Alfredo Brito encarnam dois atores - um jovem e outro menos jovem -, que contracenam nas mais variadas produções e que discutem, nos bastidores, as alegrias e tristezas do teatro. Um está a começar, cheio de energia e vitalidade, outro a acabar, talvez um pouco cansado e desiludido com a carreira que escolheu. Mas ambos têm algo para ensinar um ao outro. Cleia Almeida diz que escolheu estes intérpretes porque queria trabalhar com pessoas com quem sentisse empatia e que trouxessem às personagens aquilo que já são, "em termos de idades e experiência". "O Vítor tem a jovialidade do John; o Alfredo, o cabelo branco, aquela voz... Mesmo que eu falhasse como encenadora, eles já trariam isso ao espetáculo", revela.
Com a ajuda de David Serrão no cenário e figurinos ("que ajudou muito à conceção geométrica do espetáculo, às entradas e saídas dos atores") e Noiserv na sonoplastia, Cleia Almeida diz que "a experiência [de encenar] é para repetir, mas só no futuro - é muito trabalhoso". Quanto a este espetáculo, é para ver de quarta a domingo.
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