A propósito de uma entrevista

Na edição de ontem, o CM publicou uma entrevista com o antigo forcado Manuel Peralta, fundador dos Amadores de Évora, assinada pelo nosso companheiro João Aranha. Importa reflectir a propósito das suas declarações.

04 de janeiro de 2006 às 00:00
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“As vivências do meio onde se cresce” são fundamentais para cada um. E as escolas são muitos importantes para os gostos. Sejam elas agrícolas ou não, podem (e devem) contribuir para práticas de cultura tradicional.

Lembram-se das récitas de finalistas (dos liceus)? Fomentam o gosto pelo teatro. E também assim era com sessões de cinema e bailes. Uma juventude responsável e também irreverente.

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E as garraiadas de estudantes? Recordo, entre outras, as de Veterinária, Agronomia, do Colégio S. João de Brito, Colégio Militar e Liceu de Gil Vicente, aqui apresentando no Campo Pequeno nomes como Zoio, Moura, Salvador, Rouxinol e Vítor Mendes, entre outros! Eram espectáculos com partes séria e cómica, sem que ambas se confundissem...

DIGNIFICAR OU NÃO

Disse Manuel Peralta na entrevista de ontem que os forcados eram apontados nas conversas de escola como “principal suporte da corrida à portuguesa”. É uma afirmação pouco simpática para com os cavaleiros, que sempre se habituaram a ser ‘cabeças de cartaz’. Claro que são artes e técnicas que coabitam e constituem, lado a lado, a típica tourada nacional. E se os cavaleiros quiserem contrariar que o forcado é o “principal suporte”, o melhor é deixarem de dar (certas) voltas à arena, suportados nas palmas e voltas dos forcados...

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Dignificar a festa de Toiros deve ser um imperativo de quem gosta da mesma. Dignificando-se a si próprio, se desempenhar algum papel específico, dentro ou fora das arenas. “São muitos os grupos, mas nem todos significam a Festa” e “um grupo pode ser modesto em número de corridas, mas ser forte na ética do forcado amador”! Pensamentos e palavras oportunas do fundador dos amadores de Évora, que registo como destaque dos últimos dias.

Quando se diz que há grupos sem ética, recordam-se aqueles que ‘furam’ regras da respectiva associação e que se movem com apoios de patrocínios que as empresas aproveitam, contrariando o verdadeiro espírito do forcado amador. Isto para não falar dos desmandos e desvarios, nos tempos de hoje perante uma pega que não se consegue de acordo com o regulamento.

A Festa de Toiros precisa de qualidade. Dos profissionais todos aos amadores, impõe-se código de conduta assente em princípios, não retirando à Tauromaquia a sua condição de ser um bastião exemplar de ética. Porque parar (aí) é morrer...

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