A repressão sexual por Diogo Infante
É um dos acontecimentos da temporada teatral: Diogo Infante estreia esta noite, no Teatro Municipal S. Luiz, em Lisboa, o clássico de Federico Garcia Lorca ‘A Casa de Bernarda Alba’. Maria do Céu Guerra é a protagonista de um espectáculo cujo tema é o sexo e a sua repressão, e que está cheio de estrelas: Ana Bustorff, Cucha Carvalheiro, Custódia Gallego e a veterana Laura Soveral.
Ao CM, Diogo Infante revelou que ainda era aluno do Conservatório quando se perdeu de amores pela peça em que Lorca faz o retrato de uma Espanha brutalizada pela ditadura de Franco. A repressão sexual é, afinal, a metáfora para toda a espécie de repressões: a política, a económica, a familiar...
No entanto, só agora conseguiu concretizar o sonho de levar à cena este texto fundamental da dramaturgia mundial, contando para isso com a colaboração estreita da realizadora Ana Luísa Guimarães.
“Nós já tínhamos trabalhado juntos na peça ‘O Jardim Zoológico de Cristal’, do Tennessee Williams, e sabendo que a Ana Luísa é uma mulher sensível, com bom gosto, convidei-a para encenar o espectáculo comigo. Afinal, foi mais fácil do que imaginava...”
Após seis meses de trabalho de mesa, a tarefa seguinte foi escolher o elenco, que queriam forte e coeso. “As actrizes principais não ofereciam qualquer dúvida. Há muito tempo que queria dirigir a Maria do Céu Guerra”, revelou. “Depois, os nomes da Ana Bustorff, da Cucha Carvalheiro, da Custódia Gallego e da Laura Soveral eram óbvios. Para as mais novas foram feitas audições por convite.”
ACTRIZES PROCURAM-SE
Procuraram-se actrizes muito jovens mas com muita energia e capazes de exprimir a carga de sofrimento que a peça encerra. E as escolhidas foram Flávia Gusmão, Cátia Pinheiro e Adriana Moniz. Diogo Infante diz-se muito contente com as escolhas.
“Todos os processos artísticos são esgotantes, mas estou particularmente satisfeito com o resultado e o Jorge Salavisa [director do S. Luiz], também nos disse que gosta do espectáculo”, diz Diogo Infante.
Agora, é ver se ‘A Casa da Bernarda Alba’ agrada ao público. O espectáculo estará em cena apenas três semanas, de quarta a sábado às 21h00 e aos domingos às 16h00.
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