A ternura dos quarenta
Quarenta anos de memórias fabulosas que Mário Coelho já publicou no livro ‘Da Prata ao Ouro’
O retirado Mário Coelho acaba de cumprir 40 anos de alternativa de matador de toiros, classificação alcançada a 25 de Julho de 1967, em Badajoz, a primeira cerimónia do género na nova praça vizinha, que nesse mesmo ano se inaugurava, e após uma outra carreira de bandarilheiro em que se alcandorou ao prestígio de ser considerado o melhor do Mundo!
Quarenta anos (e mais alguns) de memórias fabulosas, que o mesmo já publicou no livro ‘Da Prata ao Ouro’, expressão que ao longo dos anos foi cantada pelos mais exigentes críticos. Todo um tempo em que honrou a profissão, a arte e a técnica que lhe correram nas veias, esse sentimento de ser toureiro em toda a parte, bastando-lhe o porte e o andar, para se lhe reconhecer a diferença da ‘solera’ e ‘torería’ que Deus lhe deu.
Hoje, homenageado como há dias em Setúbal ou sempre que alguém visita a sua Casa-Museu (e já lá esteve o visitante sete mil!!!), Mário Coelho é a imagem do respeito nas também da ternura do que do alto dos seus 40 anos de matador dedica aos que têm sonhado e começado. Fez, em terras de Vila Franca de Xira, inúmeros toureiros, nacionais e estrangeiros (destes, alguns figuras máximas no México, na Venezuela e na Colômbia), mercê dos seus ensinamentos, tal como, em Portugal, foi o caso, de entre outros, Rui Bento, agora o responsável taurino da praça do Campo Pequeno.
Também já entrei nessa ternura dos 40. De idade e de alternativa... da vida! Somos exigentes mas mais tolerantes. E perante o que entendemos não ser tolerável, reagimos ora com indiferença (e desprezo...) ora com inteligência aguçada e adocicada... Mas talvez sofrendo mais com o desconchavo e desatino daqueles que andam por maus caminhos; e questionando mais vezes quem se permite mentir e até ser injusto...
Anteontem, a RTP Memória repetiu uma transmissão da Corrida TV de 1992. No Campo Pequeno, Luís Rouxinol e José Luís Gonçalves foram os grandes triunfadores, já então entusiasmando o público, em apoteose plena! Porque terão, depois, e mesmo assim, sido prejudicados, travados e ignorados durante tanto tempo?
Os culpados, uns já partiram, outros por aí andam disfarçando... Mas todos terão beneficiado da ternura dos (meus) 40 (e mais), certo e sou de que o saber ser é fundamental para estar...
Augusto Gomes Júnior, pioneiro dos novilheiros portugueses no estrangeiro, (há 65 anos apresentou-se em Pamplona, a 21 de Julho de 1942) e nosso 2.º matador, está internado no Hospital de São José, recuperando já de súbita crise de saúde.
Manuel Luís Gomes, jovem promissor, recentemente triunfador em Colmenarejo (Madrid), foi ontem submetido a intervenção cirúrgica à mão direita, fracturada ao estoquear o novilho a que cortou a orelha. A operação esteve a cargo do cirurgião António Castanheira, esperando-se inactividade não inferior a um mês.
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