“A Páscoa e a Festa”
Na verdade, já não sou do tempo em que se ia aos toiros depois de almoçar fora de portas.
Para quem já viveu muitos anos há memórias que encantam e outras que entristecem. É o caso. Na verdade, já não sou do tempo em que se ia aos toiros depois de almoçar fora de portas. Também já não se usava cobrir a cabeça com os celebrados "palhinhas", mas lembro-me bem de ir ao Campo Pequeno, (pela mão de meu pai ou avô, e mais tarde sozinho ou com os amigos), num tempo em que a temporada ali começava, no Domingo de Ressureição, com as bancadas cheias de gente que usava chapéu, e vestia fato e gravata, enquanto o sol da primavera iluminava a Festa.
A cavalo toureavam as estrelas da época, António Luís Lopes, Vasco Jardim, os meus parentes Casimiros de Almeida, Rosa Rodrigues, os Maestros Núncio e Simão, alguns que despontavam como o David, o Salgueiro o Conde o "Chico" Mascarenhas e muitos outros de não menor valia. Também foi naquele lugar marcante e legendário (felizmente "renascido" para a Festa), que, noutras tardes luminosas me foi possível sentir a emoção de faenas inesquecíveis dos grandes toureiros de então, chegados de Espanha e México, como foram Ortega, Armilita, Silverio, Estudiante, Bienvenidas, Pepe Luis, Manolete, Parrita,Procuna, Fermin Rivera, Carnicerito e até o Gregório Garcia que revolucionou isto tudo e abriu portas aos nossos Diamantino, Manuel dos Santos, seu primo Antonio "Paco" Mendes, Trincheira, Amadeu, Armando Soares, José Júlio e tantos outros que os seguiram, e brilharam em tardes de sol luminoso, com pegas a cargo dos de Santarém, Vila Franca ou Montemor e toiros de ganaderias que marcaram época.
Tudo mudou, inclusive o dia e a hora, mas ficou a saudade que o tempo não apaga.
Crónica de João Aranha
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