Alphaville: “Não sentimos falta do passado”
Grupo toca esta quinta-feira em Lisboa e o CM falou com Marian Gold, o seu eterno vocalista.
Os germânicos Alphaville são uma das bandas mais emblemáticas dos anos 80. Canções como ‘Big In Japan’ ou ‘Forever Young’ há muito que fazem parte da memória coletiva. Essas e outras canções podem ser ouvidas esta quinta-feira no Campo Pequeno, em Lisboa.
Esta não é a primeira vez dos Alphaville em Portugal. Como é que correram as vossas visitas passadas ao nosso País?
Sempre fomos muito bem recebidos em Portugal e, por isso, estamos muitos ansiosos por voltar. Já tocámos no Porto e em Lisboa, e foram sempre concertos incríveis. A última vez tocámos num festival revivalista no Sul do País [festival Flower Power em Vila Nova de Stº André] e o ambiente foi inacreditável. A banda antes de nós, que devia ter tocado cerca de uma hora, tocou para aí duas horas e meia [risos] o que atrasou a nossa atuação. Mas quando subimos ao palco já a caminho das três da manhã as pessoas ainda estavam lá. Ninguém arredou pé [risos].
O que conhece de Portugal?
No ano passado, depois do tal festival, acabámos por ficar por cá cinco dias só para passear e fazer turismo. Andámos muito por Lisboa e aproveitei para ir ouvir fado. Fiquei muito impressionado. Foi uma experiência incrível, até porque já tinha ouvido falar, mas nunca tinha assistido ao vivo.
Vocês lançaram um novo disco em abril deste ano. Como é que as pessoas reagem às vossas canções?
Nós temos tido reações diversas. Há pessoas que nos dizem que gostam muito das mudanças que fizemos na nossa música, mas depois há outros que dizem que devíamos continuar a fazer o que sempre fizemos.
Vocês gravam discos desde o início dos anos 80. É difícil manter uma banda no ativo?
Desde 1995 que nós não paramos de tocar. Estamos em digressões contínuas. E quando se gosta disto, manter um grupo junto e no ativo não pode ser um problema. Isto não é um hobby para nós. Isto é a nossa profissão. Eu acho que as pessoas percebem isso. Claro que gerir uma banda é uma empresa, mas todos nós temos noção de que somos uns sortudos por termos a oportunidade de fazermos aquilo de que gostamos.
Quem são neste momento os fãs dos Alphaville?
Há uma mistura muito grande. Claro que temos pessoas que nos acompanham desde o início, mas costumamos dizer que também vemos miúdos que ainda têm idade para andar de urso de peluche [risos].
Que tipo de relação têm com os grandes sucessos dos Alphaville, como ‘Big In Japan’ ou ‘Forever Young’? Não está cansado de ter de os interpretar ao vivo?
Não. Eu compreendo que as pessoas que vêm aos nossos concertos querem ouvir essas músicas. Acho que era patético agir como se elas não fossem nossas. É isso que faz o público feliz. E se o público fica feliz eu também fico [risos].
Muita gente considera que os anos 80 foram a década de ouro do rock. Tem saudades daquele período?
Não. Eu não sinto falta do passado e nem sei se concordo muito com isso. Eu tenho 63 anos e, para mim, o período dourado foi o final dos anos 60 e início dos 70. Mas eu estou muito mais interessado naquilo que se está a passar agora e no que aí vem.
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