Assembleia Municipal de Lisboa Lisboa realça capacidade de Jorge Palma para traduzir em canção a identidade da cidade

"Lisboa foi sempre matéria e cenário da sua obra: das ruas aos bairros, das noites à luz do Tejo, poucos autores souberam traduzir em canção a identidade desta cidade com igual verdade", refere o voto de pesar.

22 de setembro de 2026 às 17:46
Jorge Palma Foto: D.R.
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A Assembleia Municipal de Lisboa realçou esta terça-feira a capacidade de Jorge Palma, que morreu na segunda-feira aos 76 anos, para traduzir em canção a identidade da cidade como "poucos autores souberam", num voto de pesar aprovado por unanimidade.

"Lisboa foi sempre matéria e cenário da sua obra: das ruas aos bairros, das noites à luz do Tejo, poucos autores souberam traduzir em canção a identidade desta cidade com igual verdade", refere o voto de pesar lido pelo presidente da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), André Moz Caldas (PS), nos momentos iniciais da reunião desta terça-feira.

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Jorge Palma, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu na segunda-feira à noite, aos 76 anos, anunciou a família, pedindo que o autor seja lembrado "pelas suas canções e palavras", agradecendo "toda a amizade demonstrada ao longo dos anos".

O voto de pesar mereceu a aprovação de todas as forças políticas representadas na AML, tendo sido depois cumprido um minuto de auscultação em silêncio da "Canção de Lisboa", terminando com aplausos dos deputados municipais.

"A sua obra está intimamente entrelaçada com a malha urbana da cidade, desde a poética das suas madrugadas na mítica boémia do Bairro Alto, até à consagração perante os lisboetas nos grandes palcos da cidade", salientou a AML, recordando que o último concerto do músico teve lugar no Teatro Tivoli, em Lisboa, "um momento de partilha e de profunda comunhão com a sua cidade que agora se reveste de um significado ainda mais comovente.

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Em 2020, Jorge Palma foi distinguido com a Medalha Municipal de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, que recebeu no final do concerto 70 Voltas ao Sol, no Castelo de São Jorge, no âmbito do programa Lisboa na Rua, e foi condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou aos 6 anos a ter aulas de música, tendo ingressado no Conservatório de Música de Lisboa aos 10.

Embora a sua carreira comece a ser contada em 1972, ano em que gravou o primeiro 'single' em nome próprio, "The Nine Billion Names of God", o percurso na música começou oito anos antes, aos 14 anos, quando abandonou a música clássica para se dedicar ao pop-rock.

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Antes de se apresentar em nome próprio, Jorge Palma fez parte do grupo Sindicato, que tocou na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971, e dos Black Boys.

Pouco depois de editar o primeiro single, foi convocado para o serviço militar, mas decide abandonar o país e instala-se na Dinamarca.

Em 1974 regressa a Portugal, após o 25 de Abril, começa a trabalhar como orquestrador e, no ano seguinte, edita o primeiro álbum, "Como uma viagem na palma da mão".

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Depois gravou mais 13 álbuns de originais, e "cada um corresponde a um momento" da vida de Jorge Palma. "Com quem me dava, com quem vivia, o tipo de vida que levava, o que ouvia e lia, tudo isso torna cada disco único", disse à Lusa numa entrevista em 2022.

O velório do músico está marcado para quarta-feira, na Voz do Operário, em Lisboa, "para que todos se possam despedir e prestar uma última homenagem", anunciou esta terça-feira a família.

Na quinta-feira, o cortejo fúnebre sai da Voz do Operário às 15h00, em direção ao cemitério do Alto de São João, onde decorrerá a cremação, "estritamente reservada à família e amigos próximos".

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