Até os 'grandes homens' acabam de fraldas

'Pai Nosso - Os Últimos Dias de Salazar', de José Filipe Costa, chega nesta semana às salas.

25 de maio de 2026 às 01:30
Jorge Mota e Catarina Avelar são Salazar e Maria no filme 'Pai Nosso - Os Últimos Dias de Salazar'
'Pai Nosso - Os Últimos Dias de Salazar' chega aos cinemas no dia 28 de maio
Jorge Mota, no filme 'Pai Nosso - Os Últimos Dias de Salazar', de José Filipe Costa
Filme acompanha os momentos derradeiros da vida do ditador português

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Quando Salazar caiu da cadeira, em 1968, foi operado. Pouco depois sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Incapaz de governar, foi substituído por Marcello Caetano, mas o ditador, de 79 anos, acreditava estar ainda no poder. Viveu mais dois anos nessa ilusão, no Palácio de São Bento, com toda a gente à sua volta a manter a mentira.

Este episódio da História de Portugal impressionou de tal forma José Filipe Costa, que o realizador decidiu levá-lo ao ecrã. ‘Pai Nosso – Os Últimos Dias de Salazar’ estreia nesta semana nas salas e mostra tudo: a decrepitude de um homem que um dia foi grande. Há uma imagem, em particular, que marca: as criadas a mudarem as fraldas de António de Oliveira Salazar.

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Ao CM, o realizador diz que “o filme não pretende fazer qualquer comentário – positivo ou negativo – sobre a figura, mas dar espaço a que o espectador faça a sua própria reflexão sobre os acontecimentos”. Muito bem documentado – realizador e equipa leram vários livros sobre o tema, incluindo o marcante ‘Salazar: O Fim e a Morte’, do médico Eduardo Coelho – o filme procura ser fiel aos factos e mostrar as múltiplas facetas de um ser humano complexo.

“Salazar dizia-se modesto e desinteressado mas estava agarradíssimo ao poder. E mesmo nos momentos de maior fragilidade física e mental continuava a ser paternalista para com os outros”, aponta o criador, que diz ter integrado, no resultado final, contributos de toda a equipa e estar particularmente satisfeito com o desempenho dos atores: Jorge Mota (Salazar); Catarina Avelar (Maria) e Guilherme Filipe (o médico).

“Este caso talvez não seja único no mundo, mas mostra bem o que foi o Estado Novo e o que dele nos ficou: o medinho. O medo de tocar nos poderosos e nas instituições resulta nesta passividade tão tipicamente portuguesa.”

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