Autor de livro sobre o Chega cancelado em Penacova acusa: "Isto é muito grave"
Miguel Carvalho deveria apresentar a obra em Março. Autarquia diz que não quer "polémicas politico-partidárias".
Estava tudo acertado, mas o autor e jornalista Miguel Carvalho foi agora surpreendido com o cancelamento da sua participação no Festival Literário de Penacova, onde, no dia 3 de Março, deveria apresentar o livro 'Por Dentro do Chega', um trabalho de investigação realizado ao longo de cinco anos sobre o partido de André Ventura. A ordem do cancelamento partiu da autarquia, com decisão tomada pelo próprio executivo encabeçado pelo presidente Álvaro Coimbra (PSD), curiosamente um antigo jornalista. "Quarta-feira à tarde recebi um e-mail do presidente a dizer-me que não quer polémicas politico-partidárias no festival e que o evento não serve para isso", diz ao CM Miguel Carvalho que, considerando a situação "muito grave, 51 a anos depois do 25 de Abril", confidencia ter a esperança de que "existam forças vivas e cidadania ativa em Penacova que possa pronunciar-se sobre o assunto".
Miguel Carvalho recebeu o convite para participar no Festival Literário de Penacova em Outubro, tendo a sua ida ao festival ficado acertada em Novembro ("faltavam apenas pequenos detalhes como a minha deslocação", garante). "O presidente disse-me que só no passado dia 9 soube da minha presença, mas isso não corresponde à verdade porque os contactos aos autores foram feitos sempre com a aval do executivo", frisa o autor que sublinha o facto do convite que lhe chegou ter sido "expressamente para apresentar o livro do Chega". Segundo o também jornalista, até a pessoa para apresentar a obra já estava escolhida, um também ilustre social democrata, João Paulo Barbosa de Mello", filho de Barbosa de Mello que chegou a presidir à Assembleia da Republica. "Eu não quero utilizar a palavra censura, mas na prática é o que estamos a assistir. Este não é um livro contra ninguém, é um livro que resulta de uma investigação ao Chega. Dizerem que um livro como este não cabe num festival literário é um completo absurdo".
O CM tentou contactar Álvaro Coimbra, mas sem sucesso. O autarca, no entanto, já tinha explicado em comunicado à Lusa que a presença de Miguel Carvalho tinha sido "um erro de programação", justificando: "Tratando-se de um evento organizado por uma instituição pública entendemos, desde a primeira hora, que não devemos incluir temáticas politico-partidárias. Como é óbvio, isto é válido para todo o espetro político".
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