Bar acende polémica
A eventual destruição de um bar que alberga pinturas do início do séc. XX e classificado como de “interesse municipal” pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) está a causar acesa polémica em Braga.
A profunda degradação do edifício setecentista, em pleno centro da cidade, que alberga o chamado Bar Egípcio, está a colocar em risco um conjunto de pinturas sobre temas do Antigo Egipto existentes nas paredes de uma sala que marcou a actividade cultural da cidade no último século.
Infiltrações de humidade agravaram a deterioração do espaço, adquirido por uma imobiliária ao Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços do Minho.
Classificado edifício de “interesse municipal” pelo IPPAR, o Bar Egípcio é o centro de acesa polémica envolvendo a Câmara Municipal e a associação bracarense de salvaguarda do património, ASPA, que denuncia interesses imobiliários para a destruição do espaço.
O Sindicato da Poesia e a ASPA promoveram já uma vigília cultural no local, reclamando contra a eventual destruição do local para a instalação de uma galeria comercial. No entanto, a Câmara garante que esse projecto caducou e sublinha que, apesar do edifício ser propriedade privada, os serviços técnicos já fotografaram o espaço para assegurar que qualquer projecto de recuperação salvaguarde o património.
É que, de acordo com a ASPA, o bar possui um “conjunto de quatro painéis policromados pintados a fresco sobre outras tantas paredes utilizando a linguagem e as regras da representação gráfica e pictóricas usadas na antiga civilização egípcia”, sendo, segundo António Durães, do Sindicato da Poesia, “o último sobrevivente da corrente que, nos finais do séc. XIX em Portugal, decorava as paredes dos cafés com motivos exóticos, em geral orientais ou da arte do antigo Egipto.”
Projectado por José Faria Barbosa e pintado por Lúcio Fânzeres em 1937, está inserido num prédio que desde 1915 foi a Casa do Sindicato dos Caixeiros, antecessor do Sindicato do Comércio. É um edifício civil urbano da “segunda metade do séc. XVIII” valorizado por ter no primeiro piso “um dos últimos testemunhos da memória da vida associativa de Braga”.
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