Benditos violinos

Bob Geldof pode até ter saído anteontem do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, sem muito dinheiro para a campanha da ‘Pobreza Zero’ (da qual é activista), mas subiu ao palco, perante uma embaraçosa plateia de pouco mais de mil pessoas, como se fosse tocar para um recinto cheio.

09 de julho de 2006 às 00:00
Benditos violinos Foto: Tiago Sousa Dias
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No concerto de solidariedade a favor de África, cantou e tocou com alma e, volvidos 30 anos, ainda afina as cordas (as vocais e as da viola) para brindar o público com a garra de artista e ‘performer’ que (ainda) é.

Quase duas horas depois, às 22h30, os Waterboys ampliaram o feito: puseram (quase) todos aos pulos ao replicar os êxitos dos anos 80 como se os tocassem pela primeira vez, e o líder, Mike Scott, brilhou em duetos com teclas ou violino.

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Os poucos presentes não saíram defraudados quando, pelas 00h20, as luzes se acenderam sobre a sala esvaziada e os funcionários da limpeza começaram a varrer o pouco lixo espalhado pelo chão. Os pontos altos da noite surgiram, claro está, com Geldof a fazer ecoar o refrão de ‘I Don’t Like Mondays’ (dos tempos dos Boomtwon Rats) e os Waterboys a inspirarem um baile ao melhor estilo escocês ao som de ‘The Whole Of The Moon’, ‘Fisherman’s Blues’, ‘A Bang in The Ear’ e ‘The Pan Within’.

E benditos violinos! Numa sonoridade “irish-scotish-blues”, segundo o próprio Mike Scott, sobressaíam os violinos que acompanharam tanto Geldof como Scott, valorizando a harmonia das duas bandas que, décadas após o estrelato, confirmam que, quem sabe, sabe sempre. É caso para dizer: quem não estava… estivesse!

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