Bertrand comprada
A Bertrand está a um passo de ser vendida ao gigante livreiro Bertelsmann, mais precisamente através do Círculo de Leitores, empresa pertença daquele grupo alemão. O negócio, de dezenas de milhões de euros, estará concluído até meados de Julho.
Carlos Resende Duarte, administrador da Bertrand, confirmou ao CM “as negociações em curso”, mas não quis revelar mais pormenores.
Confrontado com os rumores de que a maior rede de livrarias do País atravessa dificuldades financeiras – o que poderia explicar a venda –, Resende Duarte desmentiu e apenas adiantou que “o negócio deverá estar concluído em meados de Julho”.
A notícia, avançada ontem pelo jornal ‘Expresso’, vem criar um ambiente de incerteza e receio quanto ao futuro dos funcionários da Bertrand, segundo fontes da rede livreira, clima que o administrador do grupo desmente. “Está tudo tranquilo”, garante Resende Duarte.
Zita Seabra, ligada à Bertrand durante vários anos (deixou a empresa há ano e meio para fundar a editora Alêtheia) considera o negócio “positivo para o mercado de editores e livreiros que atravessa sérias dificuldades.” E mostra-se ainda confiante quanto ao futuro daquela empresa. “A Bertelsmann é um grupo muito importante, é a maior rede de editores e livreiros do Mundo, e, certamente, vai assegurar a continuidade da Bertrand.”
De acordo com fontes contactadas pelo ‘Expresso’, “a Bertelsmann pretende manter as duas organizações (Bertrand e Círculo de Leitores) com a sua personalidade própria, as suas marcas, a sua forma de trabalhar e a sua gestão”.
A Bertrand é a maior empresa do sector a funcionar em Portugal há mais de 270 anos e, a três meses de abrir mais duas grandes lojas – no Campo Pequeno e no Algarve –, soma já 47 espaços em todo o País.
NEGÓCIO DE MILHÕES
Composto por quatro empresas – a ‘holding’, a gestora da rede de livrarias, a editora das marcas Bertrand e Quetzal e a distribuidora –, o grupo Bertrand aliado ao Círculo de Leitores permitirá à Bertelsmann reforçar a presença em Portugal e combater taco-a-taco, na área do retalho, com a francesa Fnac.
A Bertrand edita ‘bestsellers’ como ‘O Código Da Vinci’ e prevê facturar, até ao final do ano, cerca de 50 milhões de euros.
Já o gigante alemão estende assim os ‘tentáculos’ que, além do sector livreiro, passam ainda pelo discográfico(detém a editora Sony/BMG) e pela televisão, através da participação de 33 por cento na Media Capital, empresa que gere a TVI.
O CM tentou ainda contactar o Círculo de Leitores mas, até ao fecho desta edição, tal não foi possível.
DOIS SÉCULOS
A editora Bertrand foi fundada em Lisboa no longínquo ano de 1732 e desenvolve três actividades: a edição, a distribuição e a venda ao público de livros. Determinante na vida cultural, intelectual e académica portuguesa, pertenceu até 1994 a um empresário galego, Manuel Boullosa, passando então para as mãos do actual proprietário, José Sotto Mayor Mattoso.
47 LOJAS
Em Setembro, a Bertrand vai abrir mais dois grandes espaços de venda de livros ao público – um no Campo Pequeno, em Lisboa, outro no Algarve. A rede livreira detém 47 lojas e as mais recentes possuem auditório, ‘press center’, café e espaços infantis.
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