Britney Spears formosa mas pouco segura no palco
Foi com roupa justa e muitos brilhantes que Britney Spears apareceu ontem à noite, ao som de ‘Hold it Against Me’. Era impossível perceber se havia ou não playback, mas a cantora norte-americana nem esboçou um sorriso para os dez mil fãs que tinha à sua frente e pareceu pouco segura nos movimentos no palco do Pavilhão Atlântico, em Lisboa.
Seguiu-se ‘Up’n’Down’, com uma dança sensual numa cela e movimentos ousados com um bailarino fardado e com algemas. O sorriso lá apareceu, bem como o inevitável "boa noite, Lisboa". Ainda algo presa de movimentos, Britney não conseguiu a desenvoltura de outros tempos, mas levou os fãs ao delírio numa plataforma elevatória, com uma máscara e um grupo de bailarinos em tronco nu, numa versão curta de ‘Piece of Me’.
Mais solta e já com um vestido curto em tons rosa, cantou o tema electrónico ‘Big Fat Bass’, com will.i.am (dos Black Eyed Peas) a aparecer no ecrã gigante. Em cima de um descapotável avançou para ‘How I Roll’ e depois convidou um espectador – italiano, por sinal – a subir ao palco, algemou-o e empoleirou-se nele ao som de ‘Lace and Leather’, provocando delírio na plateia.
A revisão da carreira arrancou com o célebre grito "It’s Britney bitch". O tema ‘Gimme More’, do disco ‘Blackout’, foi um dos pontos altos a nível cénico, tendo direito a efeitos pirotécnicos. Mais à frente viriam ‘Boys’ e o inevitável ‘…Baby One More Time!’. Já sem playback, e sentada num baloiço gigante, cantou a balada ‘Don’t Let Me Be the Last to Know’.
Num momento de aparente saudável concorrência fez uma versão estridente da canção de Rihanna ‘S&M’, recebendo muitos aplausos em troca. Antes, numa sátira aos paparazzi, aparecera com um vestido esvoaçante como o de Marilyn Monroe, em ‘O Pecado Mora ao Lado’, para ‘If you Seek Amy’.
Num alinhamento de 20 canções houve ainda espaço para ‘I’m a Slave 4 U’. "Querem ouvir mais?", gritou a cantora. O público deu a resposta óbvia e a festa continuou, com fãs aos saltos em ‘I Wanna Go’.
Para fechar, o mais interessante: ‘Toxic’ e ‘Till the World Ends’. O Mundo não acabou, mas o serão pop sim, após menos de duas horas de concerto, com Britney Spears a terminar elevada com asas de anjo num elevador por entre uma chuva de confetti.
DE COLEGIAL A 'FEMME FATALE' EM MENOS DE TRÊS DÉCADAS
À beira dos 30 anos, Britney Spears já conhece várias faces da fama. A menina nascida no Mississípi, filha de um agente imobiliário e de uma professora primária, já em pequena entrava em concursos de dança. O jeito levou-a a entrar no programa televisivo ‘The Mickey Mouse Club’, ao lado de futuras estrelas como Justin Timberlake – seu primeiro namorado famoso – ou a eterna rival Christina Aguilera.
Revelada ao Mundo em 1999, com o disco ‘… Baby, One More Time!’, que vendeu 25 milhões de cópias e a tornou no modelo da adolescente desempoeirada, persistiu com ‘Oops!... I Did it Again’ e ‘In the Zone’, numa época em que acentuou a imagem de mulher sexy e deu o célebre beijo na boca de Madonna nos MTV Video Music Awards de 2003.
Pelo meio houve um casamento que durou 55 horas, com o amigo de infância Jason Alexander, e outro que correu mal, com Kevin Federline, de quem teve dois filhos. Em 2006, com a separação dolorosa, somou sinais de instabilidade: ataques aos paparazzi, consumo de drogas e um corte de cabelo que a pôs careca. Já sem a guarda dos filhos, foi internada numa clínica de reabilitação.
Após a queda veio nova ascensão, com uns quilos a mais e letras a destilar ironia. ‘Blackout’, muito elogiado pela crítica, não vendeu o esperado. Mas ‘Circus’ (2008) e ‘Femme Fatale’ (2011) ditaram o regresso aos primeiros lugares. Mais madura e a provar que a liderança da música pop ainda lhe pertence.
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