Buraka e Justice foram os mais eléctricos da primeira noite

A noite de arranque do Optimus Alive, esta sexta-feira, foi mesmo dos mais jovens. E dos pais deles. Juntos, dançaram e pularam ao som de LMFAO e Buraka Som Sistema, no Palco Heineken, enquanto os mais velhos se deixaram embalar, e por vezes adormecer, ao som de uns Snow Patrol certinhos e uns Stone Roses que acabaram por ser a maior desilusão da noite.

14 de julho de 2012 às 21:30
Optimus Alive, Festival, Justice, Buraka Som Sistema, LMFAO, Santigold, Passeio Marítimo de Algés Foto: Diogo Pinto
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A banda de Ian Brown lá tocou as cerca de duas horas prometidas, ou não fossem os Stone Roses cabeças-de-cartaz, mas pouco foi o entusiasmo ao longo do espectáculo desmaiado da banda britânica.

Por cá, a adoração não tem paralelo ao histerimo vivido com este reencontro em terras de Sua Majestade. Por isso, além de alguma agitação vivida com os mais emblemáticos 'Adored' do arranque, 'Made of Stone' ou 'I am the Ressurection', pouco se vibrou com estes Stones.

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De casaco verde e amarelo e com a bandeira portuguesa em palco, Ian não puxou pelo seu público e nem mesmo as projecções em ecrãs em fundo electrizaram a plateia, morna.

Morno fora antes também o espectáculo dos Snow Patrol, apesar de Gary Lightbody ter tentado animar as hostes e elogiar a banda cabeça-de-cartaz e até mesmo Portugal. "É bom estar de volta", gritou. E só mesmo os famosos temas 'Chasing Cars - "dedicado a toda a gente" - e 'Open Your Eyes' é que conseguiram levatantar os ânimos...e as vozes do coro.

Na outra ponta do recinto, no Palco Heineken, eram os LMFAO que enchiam a tenda secundária e faziam tremer a terra. Santigold soube manter elevado o ambiente de festa no palco secundário. A fusão de estilos trabalhados pelo duo no último trabalho ‘Master of My Make Believe' ganhou novas cores ao vivo junto de uma audiência bem menos juvenil do que a que tinha estado ali hora e meia antes.

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"Estão todos a sentir-se bem?", pergunta Santi White para as centenas de pessoas que já ultrapassavam os limites do hangar, indiferentes ao desencanto que os The Stones Roses iam debitando no espaço principal do festival. "Quero pôr-vos todos a dançar", afirma radiante, antes de convidar três ou quatro dezenas de felizardos a juntar-se a si em cima do palco.

"Dêem espaço às minhas ‘ladies' para elas dançarem", impõe a cantora, tentando limitar a confusão que se instalou à sua volta. Se as bailarinas ganharam espaço para dançar, Santi White nem por isso, obrigada a fugir aos abraços e beijos que os seus ‘convidados' queriam à força oferecer-lhe pela oportunidade concedida.

Terá sido um dos momentos mais felizes de Santigold, a confirmar o palco secundário como o espaço onde se ouviram os ritmos mais contagiantes da primeira noite do Optimus Alive.

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O kuduro ‘progressivo' dos Buraka Som Sistema terá surpreendido as centenas de estrangeiros (ingleses em larga maioria) que ajudaram a compor o palco Heineken. Quase sem espaço para se mexerem, cinco mil pessoas deixaram-se contagiar pelos ritmos vibrantes do ‘kuduro progressivo', ao ponto de levar o mais distraído a interrogar-se se a banda não mereceria o palco principal.

O alinhamento privilegiou o álbum ‘Komba', de 2011, com as suas canções a ganharem uma nova energia ao vivo, mas os Buraka não deixaram passar em branco os temas que ajudaram a construir o seu estatuto de uma das melhores bandas nacionais ao vivo.

E, com o fim do concerto dos The Stone Roses, essa sensação tornou-se ainda mais evidente, com ‘Wawaba' e ‘Yah' a serem verdadeiros ímanes para as centenas de pessoas que fizeram um momento de espera pela entrada em palco dos franceses Justice.

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Os Buraka Som Sistema provaram que o seu estilo peculiar e enérgico agrada a todas as gerações. Pais e filhos voltaram a saltar juntos e a fazer até gestos obscenos em músicas vibrantes como ´We Stay Up All Night' ou 'Kalemba', com o coro 'wegue wegue' repetido em coro.

‘Helix' e ‘Civilization', já do novo ‘Audio, Vídeo, Disco', ajudaram à festa, numa verdadeira explosão de luzes e de sons, a soltarem a efervescência de milhares de corpos. E se a noite já ia longa, para muitos a festa apenas tinha começado. Às três da manhã, aguardava-os ainda Death in Vegas para fechar o dia em beleza.

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