Casa de Garrett abaixo
Apesar dos protestos, a casa onde viveu e morreu o escritor Almeida Garrett começou a ser demolida para dar lugar a um condomínio privado. Ontem, o deputado socialista Manuel Alegre, que subscreveu um requerimento para impedir a demolição, desconhecia a situação do imóvel, sito na Rua Saraiva de Carvalho, n.º 66-68, em Campo de Ourique.
“Vou-me informar deste assunto”, disse ao CM o deputado e escritor, mostrando-se triste face à situação.
“Fiz tudo o que podia como deputado, sem pôr em causa os direitos adquiridos do proprietário. Já não posso fazer nada”, acrescentou.
Manuel Alegre realçou, no entanto, a “grande abertura” do proprietário do imóvel, o actual ministro da Economia Manuel Pinho. “Sempre teve uma posição de grande abertura mas não lhe apresentaram melhor proposta”, referiu.
Além de solicitar a não demolição do imóvel, a petição lançada pelo movimento de cidadãos Fórum Cidadania Lisboa (que reuniu cerca de 2300 assinaturas), reivindicava ainda a classificação do edifício do século XIX e a sua transformação num espaço cultural dedicado ao autor de ‘Viagens na Minha Terra’.
Este imóvel deu origem a uma polémica que envolveu o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), o Ministério da Cultura e a autarquia alfacinha. O IPPAR chegou mesmo a recomendar a classificação do edifício como ‘imóvel de interesse municipal’. Uma decisão que exigiria, neste momento, “custos insuportáveis” à CML, disse ao CM fonte da autarquia.
CRÓNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA
O projecto de reconstrução da casa onde morreu Almeida Garrett (1854), do arquitecto Manuel Tainha, foi aprovado em Setembro de 2004, pela vereadora do urbanismo da autarquia lisboeta, Eduarda Napoleão, para quem o imóvel “nunca poderá ser transformado numa casa-museu” porque actualmente só resta a fachada. Também a vereadora da Cultura, Maria Manuel Pinto Barbora, defendeu que a fachada “não tem, do ponto de vista patrimonial e arquitectónico, um valor que justifique a sua classificação enquanto imóvel de interesse público nacional e municipal”. Na sequência da petição do Fórum Cidadania Lisboa, o IPPAR emitiu, a 21 de Abril, um parecer recomendando a classificação do edifício, mas a sugestão (não vinculativa) não foi atendida.
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