Castelo de Drácula vendido por 60 milhões

As autoridades da localidade romena de Brasov decidiram comprar o castelo de Bran, um dos monumentos mais conhecidos e visitados do país pela associação feita ao Conde Drácula, a personagem criada pelo escritor Bram Stoker. Para tal, vão entregar 60 milhões de euros a Dominic de Habsburgo e às irmãs, herdeiros da princesa Ileana, última proprietária do imóvel antes de este ser nacionalizado pelo governo comunista em 1948.

09 de janeiro de 2007 às 00:00
Castelo de Drácula vendido por 60 milhões Foto: d.r.
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O castelo, onde agora funciona um museu de arte medieval, administrado pelo Ministério romeno da Cultura, voltou, entretanto, à posse dos herdeiros de Ileana de Habsburgo, que o colocaram à venda há sete meses.

O direito de pré-opção de compra pertence precisamente ao Ministério da Cultura, mas o titular da pasta, Adrian Iorgulescu, já veio a público classificar o preço pedido de “exorbitante”. A quantia não terá constituído obstáculo para a municipalidade de Brasov que, segundo as televisões Realitatea e Antena 3, vai pedir a um banco austríaco um crédito em ‘leasing’ para dez anos.

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VLAD TEPES

Construído no coração da Transilvânia pelos Cavaleiros da Ordem Teutónica, no início do século XIII, o castelo de Bran destinava-se à defesa da rota comercial que ligava aquela região à Valáquia. Para além da arquitectura única e de rara beleza, Bran começou a ser falado no século XV, quando o Conde Vlad Tepes o utilizou para fins militares e onde terá levado a cabo as muitas torturas que lhe são atribuídas.

Com efeito, a crueldade com que tratava os súbditos transformou-o num mito e levou-o a ser alcunhado de O Empalador. Já o cognome Drácula, esse, terá ficado a partir do momento em que passou dois dias escondido numa das masmorras do castelo para fugir aos invasores Otomanos.

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TESOURO NACIONAL

No final do século XV, entrou na posse dos saxões de Brasov, que, em 1918, o ofereceram à rainha da Roménia, Marie de Saxo-Coburgo Gotha, casada com Anton de Habsburgo, que o converteu na residência de Verão da família e o deixou à filha, Ileana. Os filhos desta – Dominic de Habsburgo, um arquitecto que vive em Nova Iorque, e as irmãs – são os herdeiros legais.

Tesouro nacional decorado com mobiliário e artefactos locais que a rainha foi coleccionando, Bran foi nacionalizado pelos comunistas em 1948 e votado ao abandono durante quase 40 anos. Restaurado nos anos 80, viu-se transformado, em 1989, em atracção turística, hoje a “maior do país”, segundo o seu administrador, Iulian Ferastoaru.

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Quem o visita não esquece a paisagem de cortar a respiração que se avista das torres mais altas, nomeadamente sobre os montes Cárpatos, que dominam a zona. E nem o frio, as correntes de ar nas gélidas escadarias e o isolamento afastam os turistas, que têm à sua disposição um pequeno mercado onde é possível encontrar todo o tipo de ‘souvenirs’. De Drácula, nem um rasto de sangue...

A CRIAÇÃO DO ESCRITOR BRAM STOKER

‘Drácula’ é personagem fictícia, criada pelo romancista irlandês Bram Stoker (1847-1912), no livro escrito em 1897. Stoker inspirou-se no Conde Vlad Tepes, que nasceu em 1431 e governou o território correspondente à actual Roménia. Conhecido pela perversidade com que tratava os súbditos, foi alcunhado de O Empalador e de O Vampiro de Fato. Romance epistolar (por ser narrado numa série de entradas de diário e cartas), foi diversas vezes adaptado ao cinema, sendo de destacar as realizações de F.W. Murnau ‘Nosferatu’ (1922), com Max Schreck no papel do Conde; ‘Dracula’ (1931), protagonizado por Bela Lugosi; e ‘Dracula de Bram Stoker’ (1992), de Francis Ford Coppola, com Gary Oldman a liderar o elenco.

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