Cesária Évora: A diva bipolar que não gostava de usar sapatos
Documentário ‘Cesária Évora’ chega hoje às salas de cinema e revela o lado mais privado da cantora.
Nunca gostou de usar sapatos, vencia o medo dos palcos com o álcool, tinha no cigarro um dos seus grandes vícios, gastava muito dinheiro em ouro e sofria de bipolaridade. Continuava, no entanto, a ser tão simples e humilde quanto a menina que havia nascido a 27 de agosto de 1941 no Mindelo: queria apenas comida no prato e uma casa para acolher a família. Estes são apenas alguns dos aspetos sobre a vida de Cesária Évora contados no documentário sobre a ‘diva dos pés descalços’. O filme chega hoje às salas de cinema em Portugal e mostra a cantora cabo-verdiana, que morreu a 17 de dezembro de 2011, como nunca se viu
Depois do funeral de Cesária, no Mindelo, e apercebendo-se ‘in loco’ da tristeza de um povo em luto, a realizadora Ana Sofia Fonseca, decidiu fazer o documentário. ‘Cesária Évora’ tem, no entanto, como aspeto inédito e impactante a abordagem da doença bipolar na vida da cantora que morreu aos 70 anos. O projeto conta com imagens de arquivo, gravações inéditas e testemunhos de quem privou com Cize, nome pela qual era conhecida. Janete Évora, uma das suas netas, recorda, por exemplo, os anos de pobreza quando a avó era tratada como "bêbada e prostituta". Ao longo de 94 minutos, contam-se histórias inéditas, como o dia em que Cesária levou uma panela com cachupa para os camarins do Hollywood Bowl, em Los Angeles (EUA), ou quando, de passagem por Havana para gravar um dueto com Compay Segundo, perguntou ao cantor cubano se ainda conseguia dar "uma trancada".
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