Pedro Chagas Freitas escreve sobre a depressão

'A Amiga Cinzenta' não é uma receita e recusa-se a usar o “optimismo tóxico”, avisa o consagrado autor.

20 de dezembro de 2025 às 01:30
Pedro Chagas Freitas Foto: DR
Pedro Chagas Freitas Foto: Sérgio Lemos

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‘A Amiga Cinzenta’ é o novo título de Pedro Chagas Freitas, uma obra que fala às crianças (e principalmente aos adultos) sobre uma das maiores e incapacitantes epidemias dos nossos tempos: a depressão. Um livro que não serve "de receita", que não “expulsa a tristeza como se fosse um erro” e que se recusa a usar o “optimismo tóxico”, avisa o consagrado autor.

O motor da narrativa foi óbvio: parece haver cada vez mais ‘amigos cinzentos’ a sorver a claridade dos dias. Foi pelo “cansaço de ver tanta gente a fingir que está bem. Transformámos a felicidade numa obrigação, numa maquilhagem emocional que se exige a todos, até às crianças. Diria mesmo que sobretudo às crianças”, começa por explicar. “Acho cruel a ideia de que devemos expulsar a tristeza como se fosse um erro, um defeito. ‘A Amiga Cinzenta’ é a tentativa de normalizar aquilo que todos sentimos, mas que poucos assumem. É mais fácil viver com o que reconhecemos do que com o que negamos”, enfatiza.

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Pedro Chagas Freitas não têm a certeza de que haja, nos dias de hoje, mais tristeza do que noutros tempos, mas reconhece o indelével peso dos silêncios. “O silêncio pode pesar mais do que a própria tristeza. As crianças não têm espaço para falhar, para parar, para não saber, para estarem tristes sem explicação. Têm de ser brilhantes, rápidas, sociais, exemplares. Carregam as expectativas dos adultos. Todos temos a amiga cinzenta ao lado. Nem todos temos a permissão para o admitirmos".

Por isso, este livro não é uma receita mas antes um ‘amigo colorido’ para quem quer refletir sobre o problema até porque, admite, “desconfia de soluções fáceis”.

“A dor não desaparece com slogans. Acho que acima de tudo precisamos de tempo, de menos ruído, mais silêncio que escuta e que não abandona. A tristeza não pode ser tratada como culpa. A depressão não se combate com optimismo tóxico; combate-se com presença, com paciência, com pessoas que não fogem quando o cinzento chega. Se pudesse mudar alguma coisa, seria a forma como olhamos para o sofrimento do outro”, remata.

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