Cinema digital chega às salas em Abril

A partir do dia 15 de Abril, já será possível ver no Porto, Tavira ou Tondela filmes enviados de Lisboa via internet. Naquelas cidades vão estar a funcionar as primeiras salas de uma rede alternativa que pretende abarcar 20 cinemas até ao fim do ano, de Norte a Sul do País.

18 de fevereiro de 2005 às 00:00
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É um admirável mundo novo, que em parte foi desvendado ontem, num cinema de Lisboa. Foram exibidos ali uma curta-metragem portuguesa e dois excertos de filmes indianos, cada um deles gravado num sistema diferente. A ideia era mostrar que o projecto já é uma realidade. Por outras palavras, é possível ver já filmes em suporte digital, em vez de recorrer à película, cuja distribuição é muito mais cara (é preciso transportar fisicamente as bobinas).

O projecto, que une esforços do Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM) e Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), com o apoio do POSI, tem como objectivo criar uma rede alternativa de exibição cinematográfica.

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Procura-se levar os conteúdos nacionais, e inclusive de origem académica “a mais sítios e a sítios que normalmente não têm cinema’, como explicou Elísio de Oliveira.

Em declarações ao CM, o presidente do ICAM avançou o dia 15 de Março como data provável de instalação do equipamento nas salas-piloto. E um mês depois o arranque das primeiras projecções.

“Estamos a conversar com as associações de produtores e realizadores no sentido de seleccionarmos os conteúdos a exibir”, disse Elísio de Oliveira.

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Como o cinema digital exige a gravação num formato próprio, para já será difícil arranjar conteúdos. As expectativas do ICAM são de conseguir reunir uma hora de cinema por mês, e depois facultar essas imagens a toda a rede.

O equipamento a instalar nas salas “custará entre 30 e 50 mil euros, conforme os sistemas já existentes em cada uma”. Os custos serão suportados “numa parceria Estado/autarquias – a não ser nas salas-piloto, em que os projectores e servidores serão os do ICAM”, afirma ainda aquele responsável.

Para os cineastas, os benefícios deste projecto são ambíguos. João Mário Grilo, que assistiu à projecção, lamentou não terem passado a curta-metragem portuguesa em dois formatos distintos para se poder fazer a comparação. A versão exibida foi feita a partir de Betacam digital (um formato televisivo), e não em HD (alta definição).

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“Acho muito positivo as possibilidades de distribuição que a transcrição para HD permite”, admite o cineasta. “Mas um senão é a impossibilidade de ver o que se perdeu neste formato.” Dê por onde der, a qualidade da HD é sempre inferior: 1250 linhas, contra as 3000 da película.

DESCRENÇA

André Viane, presidente do Cineclube de Tavira, não acredita num arranque em Abril: “Está tudo no ar, nada foi preparado. Mas seria óptimo.”

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É CONFORME

“Pessoalmente prefiro que os meus filmes sejam exibidos em película”, diz o realizador João Mário Grilo. “Mas o formato depende do projecto.”

DIBERSIDADE

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“O projecto vai permitir divulgar muitas obras produzidas em Portugal e promover a diversidade”, defende Elísio de Oliveira, presidente do ICAM.

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