Cinema domina em vez de traficantes
Favela Complexo do Alemão. O seu nome era sinónimo de tráfico de droga e criminalidade – um dos locais mais perigosos do Rio de Janeiro. Mas algo mudou. No processo de pacificação após a gigantesca operação militar e policial desencadeada há cerca de dois anos, o Complexo do Alemão é hoje uma favela diferente. E a poucos metros onde se vendia droga, existe agora uma sala de cinema que se tornou o orgulho dos mais de 60 mil moradores na favela. Até porque a circulação entre o topo do morro e a zona mais baixa passou a fazer-se com um teleférico que atrai a curiosidade turística.
São notórias as diferenças de quando visitámos o Complexo do Alemão em 2010, algumas semanas antes da ‘operação de limpeza’ que expulsou os traficantes, acompanhando a exibição pública do documentário ‘Complexo: Universo Paralelo’, dos irmãos Mário e Pedro Patrocínio.
Em vez da venda de droga às claras e a circulação de adolescentes de ambos os sexos armados com metralhadoras AK 47 a tira-colo, vemos espectadores de todas as idades que desfrutam de uma moderna sala de cinema equipada com 3D.
Por isso mesmo, com apenas cerca de uma centena de lugares, o ‘Cine Carioca’ é já um caso sério de sucesso convertendo-se na ”sala com mais alta taxa de ocupação de todo o Brasil”, conforme revelou ao CM Sérgio Sá Leitão, presidente da Rio Filmes, uma distribuidora da Prefeitura da cidade. Com a curiosidade de 91% dos espectadores nunca terem ido ao cinema antes.
“Temos outras salas em construção em favelas e planos para fazer o mesmo na Rocinha e Mangueira. E sempre com a melhor qualidade possível de projecção e conforto”, anunciou o distribuidor. “E o mais curioso é que as bancas que vendiam DVD’s piratas, bem perto do cinema, foram desaparecendo porque nós cobramos sensivelmente o mesmo preço pelos bilhetes do que os DVD’s que vendiam”, concluiu com orgulho.
Talvez por isso, as eleições deste domingo dificilmente deixarão de confirmar a reeleição do Prefeito Eduardo Paes.
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