Companhia do Chapitô revê a 'Lucidez' de Saramago
Espetáculo inspira-se num dos romances mais celebrados do Nobel da Literatura português.
Porque José Saramago é, e será sempre, pertinente, a Companhia do Chapitô escolheu um dos textos maiores do Nobel português e está a apresentar, até dia 25, ‘Ensaio sobre a Lucidez’, uma reflexão sobre a democracia nos dias de hoje. Ao CM, Susana Nunes fala da “responsabilidade” e do “prazer” de levar Saramago à cena. “O romance é muito rico, mas acho que conseguimos escolher o essencial e contamos a história numa hora e pouco”, refletiu a atriz que partilha o palco com Jorge Cruz, Pedro da Silva e Tiago Viegas. “O nosso objetivo é espicaçar as pessoas, levá-las a questionar o que é isso da democracia, que caminho percorremos até chegar aqui e para onde queremos ir a seguir. Idealmente, ao sair do teatro, o público quererá ir ler o romance”, acrescenta.
No livro, um dia de eleições como outro qualquer transforma-se numa experiência inédita: a esmagadora maioria da população vota em branco, o que gera uma violenta crise política. Sem real representatividade, a legitimidade do governo é posta em causa, mas a população continua a sua vida, como se nada fosse. “As pessoas passam a organizar-se sozinhas e tornam-se mais solidárias – o que deixa os governantes ainda mais inseguros”, comenta Susana Nunes.
A nível formal, o espetáculo do encenador José C. Garcia mantém “todas as características” do trabalho habitual da companhia, que este ano está a celebrar 30 anos de existência. “Há palavras neste espetáculo, claro, mas o nosso trabalho é essencialmente físico, visual, portanto muito da história é contado por gestos e sons que os atores fazem e que tornam a comunicação com o espectador muito viva e dinâmica”, conclui a atriz.
‘Ensaio sobre a Lucidez’ está em cena de quinta a sábado às 21h00 e domingos às 17h00.
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