Crítica de cinema: Linha Fantasma

Pedro Marta Santos considera Paul Thomas Anderson como o mais talentoso cineasta norte-americano da sua geração.

04 de março de 2018 às 23:11
Nomeado para Melhor filme: "Linha Fantasma" Foto: Direitos Reservados
Nomeado para Melhor Ator Principal: Daniel Day-Lewis - "Linha Fantasma" Foto: Direitos Reservados
Nomeada para Melhor Atriz Secundária: Leslie Manville - "Linha Fantasma" Foto: Direitos Reservados

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Como o mais talentoso cineasta norte-americano da sua geração, Paul Thomas Anderson (PTA) anda há 21 anos à procura da "great american masterpiece", como Fitzgerald, Hemingway, Mailer e Saul Bellow fizeram na literatura do século XX. Ou talvez sejam os críticos, enfeitiçados pelas suas qualidades, que há muito o reclamam. O esforço é inútil. Primeiro porque há um sincretismo estrutural no trabalho de PTA, um amor pelo pontas soltas e pelos trechos inacabados, essa volatilidade que acolhe e incentiva a ausência de conclusões redutoras. Depois, porque a obra-prima de PTA há muito está aí para todos a contemplarem: 

Como o mais talentoso cineasta norte-americano da sua geração, Paul Thomas Anderson (PTA) anda há 21 anos à procura da "great american masterpiece", como Fitzgerald, Hemingway, Mailer e Saul Bellow fizeram na literatura do século XX. Ou talvez sejam os críticos, enfeitiçados pelas suas qualidades, que há muito o reclamam. O esforço é inútil. Primeiro porque há um sincretismo estrutural no trabalho de PTA, um amor pelo pontas soltas e pelos trechos inacabados, essa volatilidade que acolhe e incentiva a ausência de conclusões redutoras. Depois, porque a obra-prima de PTA há muito está aí para todos a contemplarem: Magnólia (1999). Claro que Boogie Nights não esteve longe, e Haverá Sangue revelava um sentido telúrico e uma recriação do mundo digna do pouco visto mas genial "An American Romance" de King Vidor. 

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É curioso, pois, que 

Linha Fantasma

 seja o filme classicamente mais redondo da sua carreira: na composição da psique obsessiva de Reynolds Woodcock (Day-Lewis, tão bom como sempre é), um 

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 de moda inglês que durante os anos 50 conhece Alma (a luxemburguesa Vicky Krieps), uma empregada de hotel na costa este, transformando-a em assistente, musa, amante e,  por fim, mulher, contrariando todas as regras de uma rotina implacável, PTA assina os seus perfeitos 

 e os enquadramentos sem mácula emocional, enamorados da elegância rítmica de Jonny Greenwood, numa progressão dramática que deve, 

, mais à música do que à literatura, em temas, motivos, cadências, interrupções. O retrato da crescente e perversa codependência entre Reynolds e Alma é digno de ser visto e apreciado como um menu de degustação demoníaco (porém, tão, tão humano), e a atmosfera serve-se com rigor luxuriante. 

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(1963): esta permanece a referência quanto às complexidades do poder entre mestre e subordinado(a), sem paralelo nas questões de classe, marca de água do ecossistema britânico, que PTA também aflora. Excelente, mas não incontornável. 

Nota: 4 estrelas e meia

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