Devagar se irá longe
Assim diz o povo, que na sua ancestral sapiência reforça com a ideia de que “as pressas só dão em vagares” e que “depressa e bem há pouco quem”! E o facto é que em tauromaquia tais pensamentos assentam que nem uma luva.
Não vem isto a propósito do impacto alcançado (...) pelo mais recente Código da Estrada, não obstante pudesse fazê-lo nessa inspiração que bebi nas auto-estradas do último fim-de-semana. Continuo a pensar que mais importante de tudo é saber o que se faz e como se faz. Depressa ou devagar serão riscos se interpretados por inconsciência ou ignorância.
O toureio é feito devagar. A lentidão significa risco maior. E maior a exposição de quem arrisca. Igualmente permite um sabor diferente. O que é bom de essência é ainda melhor se houver mais tempo para ser admirado e especialmente sentido.
Sendo o tombo poderá aumentar na proporção da subida, os legítimos sonhos não devem deixar de existir. Mesmo caindo, levantar é o passo seguinte. Por raça. Por esperança. E feito devagar, o levantar pode garantir que não volta a cair...
VILA FRANCA E NÃO SÓ
Há quem pense que a Festa de toiros em Portugal já bateu no fundo. Que caiu. Não dizendo tanto, não ando longe de pensar o mesmo... Porém, considerando que a queda já atingiu níveis (inferiores) elevados, estou em crer que já dá indícios de começar a levantar-se. Não pela expressão final pública, mas pelas demonstradas intenções de mudança. Vila Franca de Xira é exemplo disso.
Terra de gente da Festa, de Tertúlias, de um Clube Taurino e respectiva Escola de Toureio activos, de uma Casa-Museu Mário Coelho que pontifica na cultura temática, de um autarca que se revela em prática pró-tauromaquia (Maria de Luz Rosinha), de uma Fundação Álvaro Guerra que apoia a Festa de Toiros (como o faria seu patrono), de uma praça Palha Blanco realmente histórica, e aqui com um empresário a mostrar-se atento (e investidor) na mudança, Vila Franca de Xira pode ser mote.
O exemplo prossegue já no próximo domingo, num cartel diferente fazendo recordar a vitalidade de tempos que se não podem esquecer.
Devagar (e longo) será o tempo para fazer levantar a Festa de Toiros em Portugal. Praças como a Moita, Montijo, Nazaré, Chamusca, Figueira da Foz, Póvoa de Varzim e Viana do Castelo, entre muitas outras, fixas e portáteis, têm a palavra. Também por elas passa a necessidade de levantar a Festa. Com imaginação e sacrifício. Para que o público volte com mais força e entusiasmo. Defendendo muito do pouco que ainda temos. Com passos firmes e capazes, inteligente e apaixonados, também aqui, devagar se irá longe. De novo.
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