Dire Straits ainda vivem em Mark Knopfler

Só ao fim da oitava música, o clássico ‘Sultans of Swing’, Mark Knopfler se dirigiu directamente ao público veterano que o foi ver ao lisboeta Campo Pequeno, esta terça-feira, no âmbito da digressão ‘Get Lucky’. Além de apresentar a sua extraordinária banda de sete elementos, o guitarrista limitou-se a dizer: “É óptimo estar aqui outra vez. Vocês são muito queridos.”

28 de julho de 2010 às 01:22
Dire Straits ainda vivem em Mark Knopfler Foto: Tiago Sousa Dias
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De resto, Mark Knopfler deixou a música falar por si e o seu dedilhar na guitarra serviu para compensar a falta de veia conversadora. O que é certo é que o artista aos 60 anos continua com o vigor de sempre, engrandecido pela maturidade artística de uma carreira que não tem segredos para quem admira o seu rock nostálgico, que embarca cada vez mais nos blues.

Com 120 milhões de discos vendidos, desde que formou os Dire Straits em 1977, Mark Knopfler deve grande parte da sua fama a este projecto maior, que pode ter acabado em 1995, mas que continua vivo na arte de um dos cem maiores guitarristas de sempre para a revista ‘Rolling Stone’.

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Com o tom simples dos grandes mestres, Knopfler lançou-se num serão quente (eram bem visíveis os leques, nas bancadas cheias do Campo Pequeno, para aliviar o omnipresente calor de Verão), feito das músicas certas e que só pecou pela ausência da verve suplementar do inesperado. Altamente controlado, Knopfler abriu as hostes com ‘Border Reiver’ e conseguiu logo à terceira canção um dos momentos mais intimistas da noite: quando, no sussurro que o define, interpretou o tema ‘Sailing to Philadephia’, que dá nome ao disco lançado em 2000.

Para quem o queria ouvir como ex-líder dos Dire Straits, a maior ovação apareceu logo com ‘Romeo & Juliet’ e estendeu-se pelo já referido ‘Sultans of Swing’, que foi trauteado por todos aqueles que se encontravam na arena da praça de toiros alfacinha.

Houve ainda espaço para mais delongas com ‘Marbletown’ e ‘Speedway at Nazareth’, mas seria sob o desígnio dos Dire Straits que a actuação se encaminharia para o final. Para delírio dos presentes, houve ‘Telegraph Road’ e, já nos encores’, Mark Knopfler cumpriu tanto com ‘Brothers in Arms’ como com ‘So Far Away’. O serão acabou com ‘Piper to the End’.

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Neste regresso a Portugal o que fica? A confirmação de que Knopfler continua a tratar a guitarra por ‘tu’, sem falhas, sem hesitações. Algo que pode também levar alguns a alegarem que os seus registos ao vivo trazem poucas surpresas. Mas ninguém duvida que a sua música é um marco. De longevidade e coerência. Os Dire Straits ainda vivem em Mark Knopfler. Mas ele vive para além deles.

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