Diretor do São Luiz acumula Bairro Alto e Anabela Valente vai dirigir Aljube

Restantes dirigentes dos equipamentos culturais serão reconduzidos nos respetivos nos cargos.

13 de março de 2026 às 14:31
Museu do Aljube Foto: Vítor Mota
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O até aqui diretor do Teatro Municipal São Luiz, Miguel Loureiro, vai acumular funções como diretor do Teatro do Bairro Alto, enquanto o Museu do Aljube vai ser dirigido por Anabela Valente, anunciou esta sexta-feira a empresa municipal de Cultura de Lisboa.

Em comunicado, a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) revelou que "os restantes dirigentes dos equipamentos culturais serão reconduzidos nos respetivos nos cargos".

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No mesmo documento, a EGEAC refere que Anabela Valente, que assim substitui Rita Rato na direção do Museu do Aljube -- Resistência e Liberdade, estava destacada na EGEAC, depois de ter sido vogal do conselho de administração do Museu Nacional Ferroviário e anterior coordenadora do Gabinete de Estudos Olissiponenses.

Na direção do São Luiz desde 2023, Miguel Loureiro passa, assim, a dirigir também o Teatro do Bairro Alto (TBA), na sequência da não recondução de Francisco Frazão, anunciada pelo próprio esta semana e que tem levado a múltiplas reações de lamento e condenação junto do setor.

Ainda esta sexta-feira, num artigo de opinião no jornal Público intitulado "Esta cidade ainda tem este teatro?", o antigo diretor do Teatro Nacional D. Maria II Tiago Rodrigues escrevia que "a falta de respostas e explicações" sobre a saída de Frazão abria a porta "a uma interpretação gravíssima deste afastamento de Francisco Frazão: a de um saneamento político do diretor e de todo o projeto por pressão interna da extrema-direita no município".

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Contactado pela agência Lusa esta semana depois de o jornal Público ter avançado a notícia, Francisco Frazão, que assumia o cargo desde 2018, disse sentir-se "triste e desiludido", mas "não surpreendido" com a saída daquele teatro, um dos 25 espaços culturais tutelados pela EGEAC, desde museus, galerias, cinemas e monumentos em Lisboa.

"É importante pensar que a EGEAC é um parceiro de boa-fé. As pessoas não se devem eternizar nos cargos, acho isso normal, mas eu gostaria de ficar mais dois ou três anos para encerrar um ciclo final", expressou Francisco Frazão, que em 2018 foi escolhido por concurso para o cargo.

Já Rita Rato, num balanço do trabalho no Museu do Aljube, disse à Lusa sentir-se "muito satisfeita com o trabalho desenvolvido" ao longo dos seis anos de direção, num edifício que funcionou como prisão política durante 37 anos - de 1928 a 1965 - com celas coletivas e de isolamento, que ainda hoje se podem ver, no interior, como memória da repressão.

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Em janeiro, profissionais da Cultura lançaram uma carta aberta contra uma deputada do Chega na Assembleia Municipal de Lisboa, que pediu "uma cultura de direita" e criticou a programação do TBA.

Na carta aberta, os subscritores manifestavam "preocupação e indignação" com a intervenção de Margarida Bentes Penedo na 6.ª reunião plenária da Assembleia Municipal de Lisboa, no dia 13 de janeiro, acusando-a de "censura da programação de um teatro municipal".

Em causa estavam as declarações feitas pela deputada do Chega, que apreciou o programa do TBA como "cultura panfletária".

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