Do sonho dos Trovante à carreira a solo: Luís Represas morreu aos 69 anos

Músico fundou os Trovante em 1976 e seguiu carreira a solo a partir de 1992. Colaborou com alguns dos maiores nomes da música, cá e lá fora,

23 de julho de 2026 às 01:30
Luís Represas Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/EPA
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Ao contrário do que canta num dos temas mais emblemáticos dos Trovante, ‘125 Azul’, não foi “sem mais nem menos” que Luís Represas conquistou um estatuto ímpar na música portuguesa. Foi preciso coragem e perseverança para, juntamente com os Trovante, começar a fazer música no final dos anos 70, numa altura em que o mercado e a indústria estavam ainda num período muito imberbe e pouco profissionalizado.

Os instrumentos eram caros - consta que foi Carlos do Carmo que emprestou 200 contos ao grupo para a compra do material - e os espaços para tocar eram poucos e às vezes uma aventura, sobretudo fora das grandes cidades.

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Numa entrevista ao CM em 2024, recordaria, por exemplo, um episódio, numa terra do Interior, em que deitaram a eletricidade da aldeia abaixo depois de ligarem os instrumentos. Nascido Luís Paulo Fontes Represas a 24 de novembro de 1956, em Lisboa, fundou os Trovante em 1976 com João Gil, João Nuno Represas, Manuel Faria e Artur Costa.

O grupo esteve no ativo até 1992, altura em que Represas seguiu carreira a solo com 10 discos editados, o último, ‘Miragem’, em 2024. Estabeleceu pontes musicais com Cuba, Cabo Verde, Angola ou Brasil e colaborou com nomes como Fausto, José Afonso, Carlos do Carmo, Pablo Milanés, Martinho da Vila, Phil Collins, Compay Segundo ou Gilberto Gil. 

Morreu, esta quarta-feira, aos 69 anos, vítima de doença prolongada. 

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