Dulce Fernandes: "É preciso falar sobre o nosso passado de colonizadores"

Documentário 'Contos do Esquecimento' chega às salas de cinema.

06 de julho de 2025 às 01:30
Imagem do documentário 'Contos do Esquecimento'
Dulce Fernandes Foto: Direitos Reservados
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Em 2009, durante a escavação para as fundações de um parque de estacionamento, foram revelados os os esqueletos de 158 africanos escravizados – homens, mulheres e crianças –, trazidos para Portugal num navio negreiro e deixados numa lixeira urbana do século XV, em Lagos, no Algarve. Quem não sobrevivia à travessia, era deixado ali mesmo.

Quando a realizadora Dulce Fernandes soube deste achado considerou-o “importantíssimo” do ponto de vista histórico e “tristíssimo” do ponto de vista humano. Assim nasceu o seu mais recente documentário. ‘Contos do Esquecimento’, em exibição nas salas de cinema nacionais, é o contributo da criadora para “abrir um diálogo, que urge, sobre o nosso passado de colonizadores” e para alertar para a indiferença das autoridades perante “uma descoberta tão rica do ponto de vista documental e sociológico”.

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“Seis milhões de pessoas foram transportadas nos navios negreiros para Portugal e para o Brasil – o que é um número avassalador, sobre o qual é preciso meditar”, afirmou a realizadora ao CM. Apesar dos apelos feitos após a descoberta, não só a construção do parque de estacionamento prosseguiu, como por cima se edificou um campo de minigolfe.

“Não alimento grandes ilusões, sei que o impacto do meu filme não será transformador, mas satisfaz-me pensar que este trabalho vai contribuir para falarmos sobre este assunto”, remata.

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