Elisa Lisboa morre aos 81 anos depois de oito anos a debater-se com sequelas de um AVC

Atriz vivia na Casa do Artista e foi figura de destaque no teatro, cinema e televisão.

10 de janeiro de 2026 às 01:30
Elisa Lisboa Foto: Bruno Colaço
Elisa Lisboa Foto: Casa do Artista/Facebook

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Podia ter enveredado por uma carreira musical e até pensou em seguir arqueologia, mas aos 18 anos a paixão pela representação conquistou-a, tendo-a levado a fazer uma carreira ligada ao teatro (onde começou), ao cinema e à televisão. Foi também professora de Interpretação na Escola Superior de Teatro e Cinema. Apesar do sucesso atrás das câmaras dizia-se sempre "uma mulher tímida". Elisa Lisboa, atriz que passou por vários projetos na RTP, SIC e TVI, como 'Morangos com Açúcar', 'Floribella' ou 'Bem-Vindos a Beirais', entre muitos outros, morreu aos 81 anos.

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A noticia foi avançada, esta sexta-feira, pela Casa do Artista, onde residia desde 2018, depois de ter sofrido um AVC que a deixou com sequelas e lesões cerebrais. A informação foi publicada por aquela instituição juntamente com a última foto da atriz tirada em novembro passado, numa sessão fotográfica organizada com residentes, familiares e amigos. "Adorava ser fotografada. Estava feliz", lê-se na publicação. Numa nota de pesar, divulgada esta sexta-feira nas redes sociais, a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, destacava a figura marcante. "Ajudou a formar novas gerações na sua longa carreira. Por tudo o que deu à Cultura portuguesa, obrigada", escreveu.

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Filha do cantor de ópera José Eurico Corrêa Lisboa e da professora Maria Isaura Belo de Carvalho Pavia de Magalhães e neta materna do maestro Eduardo Pavia de Magalhães e da pianista Branca Belo de Carvalho, Elisa Lisboa nasceu na freguesia de São José, em Lisboa, 8 de março de 1944. 

Elisa Lisboa começou a sua carreira no Teatro Experimental de Cascais no final dos anos 60, com 'Bodas de Sangue' (1968), a que se seguiram muitas outras peças. Em 1969, esteve para ser a cantora do tema 'Desfolhada Portuguesa', que acabou por ganhar o Festival RTP da Canção na voz de Simone de Oliveira e em 1974, gravou o single 'Os Poetas/Velho Tio Tom', com a colaboração dos músicos do Quarteto 1111. No Cinema assinalam-se participações relevantes em 'Sombras de uma Batalha' (1993), 'Aparelho Voador a Baixa Altitude', de Solveig Nordlund (2002), 'Coisa Ruim', de Tiago Guedes e Frederico Serra (2006), 'Alasca', (2009), 'Fábrica dos Sonhos' (2011), ou 'Axilas', de José Fonseca e Costa (2016). 

Em 2017, Elisa sofreu um AVC (acidente vascular-cerebral) que a deixou muito debilitada e a levou a perder alguma autonomia. Foi transferida para a Casa do Artista, na altura com a irmã, entretanto já falecida. “Por motivos de saúde, veio para cá a grande atriz Elisa Lisboa. Veio com a sua irmã Margarida Lisboa, que era realizadora de rádio”, lia-se no boletim informativo disponibilizado pela conhecida instituição em abril de 2018.

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Na Televisão participou em séries e telenovelas. “Tragédia da Rua das Flores” (RTP 1981), “Mistério Misterioso” (RTP 1990), “Sozinhos em Casa” (RTP 1994), “Sabor da Paixão” (Rede Globo 2002/2003), “Morangos com Açúcar” (TVI 2006), “Floribella” (SIC 2006), “Ilha dos Amores” (TVI 2007), “Podia Acabar o Mundo” (SIC 2008), “Conta-me Como Foi” (RTP 2008/2009), “Feitiço de Amor” (TVI 2008/2009), “Liberdade 21” (RTP 2009), “Flor do Mar” (TVI 2009), “Meu Amor” (TVI 2009/2010), “Cidade Despida” (RTP 2010), “Regresso a Sizalinda” (RTP 2010), “Velhos Amigos” (RTP 2012), “Doce Tentação” (TVI 2012/2013), “Mulheres” (TVI 2014), “Bem-Vindos a Beirais” (RTP 2015). O último projeto televisivo da atriz foi a novela “A Impostora”, da TVI, em 2017. 


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