Um filme que oscila entre a violência e a delicadeza
Simão Cayatte estreia 'O Barqueiro' nas salas de cinema
Um homem acabado de sair em liberdade condicional, após cumprir 16 anos de cadeia, encontra trabalho junto de comunidades imigrantes que ganham a vida a apanhar amêijoa, ilegalmente, no rio Tejo. Esse homem (interpretado por Romeu Runa) tem uma família, mas adia constantemente o reencontro com a filha (Madalena Aragão) que adora acima de tudo. Esmagado entre o drama dos trabalhadores explorados e a sua própria dor pessoal, acabará por explodir, de forma inesperada, deixando o espectador surpreendido e sem pé.
É assim ‘O Barqueiro’, filme que Simão Cayatte estreia nesta semana nas salas de cinema, a partir de uma história que o próprio foi escrevendo com Filipa Martins e Vasco Gato. “Trouxe para o guião um tema que me é muito caro e sobre o qual tenho trabalhado nestes últimos dez anos: a escravidão moderna”, explica o realizador ao CM, admitindo que a sua obra “pode ser um filme diferente para espectadores diferentes”. “É um trabalho que oscila entre a violência e a delicadeza: alguns podem ver nele um thriller; outros verão uma história de amor entre um pai e uma filha”, acrescenta.
Pai e filha que, diga-se, não trocam uma palavra ao longo dos 106 minutos que ‘O Barqueiro’ dura. O elenco – que além dos nomes já referidos abarca ainda Miguel Borges, Sandra Faleiro e Jani Zhao – foi escolhido por Simão Cayatte “com relativa facilidade”. “Tanto o Romeu como a Madalena foram escolhidos por casting, mas eram as pessoas certas, pela energia que transmitem, pela fisicalidade. O Miguel e a Sandra estavam na minha cabeça quando escrevi o argumento”, conta. Agora, falta o público, para que este encontro tenha um final feliz. “Gostava muito que as pessoas arriscassem ir ao cinema, porque vão ver um filme que os vai empolgar e que tem um final controverso, que vai dar assunto para muita conversa”, observa.
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